- Daí que a pessoa me vem com um acompanhante que, sinceramente!
Não é nem por gosto MEU, sabe, nem preconceito, nem nada. Mas é que... tem pessoas que simplesmente... não dá!!!
- ...
- Eu sei, o cara é falastrão. Com aquele jeitão de entendido, parece que tem um conselho pra te dar sobre qualquer coisa, até sobre plantação de abacaxi. Mas, ah... pelo amor de Deus!!
- O que mais te incomodou?
- MAIS?? TUDO!! Horrendo, cena terrível, ver uma mulher tão esperta, tão interessante, tão incrivelmente interessante que me faz reavaliar tudo o que eu já tinha como certo... e aí ela está com este tipo de carinha?
O que é que eu deveria ser, como é que eu deveria ser, então, pra ter o amor dela? Um imbecil? Um perfeito otário, sem o mínimo de profundidade, de verdade, de sentimento que se possa perceber, que se possa considerar para além das formalidades? Eu deveria apenas representar, e bancar o certinho, e me mover corretamente, andar corretamente, dizer tudo corretamente, apenas porque é o jeito certo, e são boas maneiras?
- ...
- Sabe, e quando penso que ela se interessou por mim exatamente porque sou o oposto disso... ou pelo menos fingiu que se interessou, né? Pelo visto fingiu. Ou se interessa por todo mundo, vai saber...
- Seria mais fácil se ela se interessasse, olhasse,conversasse, e se sentasse à mesa só com você?
- Ah, mas que diabo! Não me venha com estas perguntinhas irônicas! Eu reconheço muito bem esse seu tom irritante, como se, percebendo toda a minha desgraça, ainda zombasse dela. É claro que eu queria. Claro que eu queria ter aqueles olhos, e aquelas palavras, aquela voz, tudo só pra mim. E que mal há nisso? Por acaso agora também devo me sentir culpado por não querer dividir a pessoa que eu...
- Que você?
- Que eu...
-...
-Enfim. O cara era um babaca.
aventuras da menina má
sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012
sexta-feira, 23 de dezembro de 2011
Um par de meias
Prometi a mim mesma que não faria uma postagem sobre o Natal.
Não gosto muito desta papagaiada.
Não tenho nada contra a ceia - não mesmo!
E também gosto dos presentes, quando eles vêem.
Mas me incomoda o sentimentalismo artificial.
Não me sinto confortável em ter que abraçar uma pessoa da qual não gosto, e falar "te desejo um feliz ano novo!", sendo que na verdade não desejo.
Acho, no mínimo, infantil e maníaca essa aura de "bom mocismo" que nos invade em dezembro.
E os apelos são tão fortes, o bombardeio é tão pesado, que uma ou outra breguice acabamos cometendo.
Estou aqui a escrever que "não gosto disso e aquilo no Natal", o que configura um certo falar sobre estas atividades festivas, das quais eu tinha me proibido, tamanho o clichê.
Tenho duas recordações muito boas desta data: uma de quando eu ganhei um aparelho de som do meu pai, aos seis anos. Foi um presente muito maior do que eu esperava, e fiquei bastante contente.
A outra é de um Natal que acabei passando na casa da avó de uma prima, na fazenda.
Não me lembro bem porque fui parar lá, já que nem meus pais, nem meu irmão foram.
Também não me lembro quantos anos eu tinha, mas foi pouco depois do Natal que acabei de citar.
Não teve nada de extraordinário na noite. As tias da minha prima ficaram fazendo um suspense sobre os presentes que ela ganharia, e sobre a chegada do Papai Noel.
Nós alucinamos sua entrada na casa, e até os detalhes de sua roupa vermelha. "Eu vi ele, eu vi!!"
Mas o mais legal, foi que na hora de abrir os presentes, eu ganhei um par de meias.
Eram bonitinhas, mas nada que justificasse a permanência dessa lembrança até os dias atuais.
O que me intrigou foi que eu tinha ido (sido despachada?) à ceia bem na última hora, ninguém sabia que a minha prima traria uma penetra convidada, e mesmo assim, na embalagem estava escrito: "para Larissa".
Passei a noite toda pensando como era curioso aquilo. Alguém estar te esperando, sem saber que você vem.
Na minha ingenuidade, não passou pela minha cabeça que algum netinho tinha ganho um par de meias a menos, para que eu fosse incluída na cena.
De qualquer jeito, a acolhida da "vovó por uma noite" não passou em branco pela cabecinha de uma menina sedenta por Barbies, mochilas da Company, e patins.
Ser desejado antes mesmo de ser.
Acho que este é o único presente que vale a pena, e que compensa a baranguice natalina.
Venha ele como vier.
sexta-feira, 2 de dezembro de 2011
À la Pierre Weil
Eis que quando você se supera na hipocrisia ao contrário, dizendo pra si mesma que "tudo bem, isso não é uma questão para mim", seu corpo ri da sua cara.
Você constrói essa atitude de que não está sofrendo por alguma coisa, de que está tudo resolvido dentro do seu psiquismo, e de que "quando quiser, tudo vai acabar tomando seu devido lugar". E repete isso - internamente - com tanta convicção, que seu ego - que não é lá muito esperto - acaba por acreditar. Daí você leva sua vida normalmente. Quer dizer, em termos...
Porque aí vem a insônia e simplesmente se senta no seu colo. E não se levanta até a hora em que você precisa ir trabalhar. Aí, sim, ela sai de cena, e aparece um sono avassalador.
Isso é o seu corpo te chamando de idiota.
A falsidade que podemos impor a nós mesmos não costuma ter limites. Existem cenas clássicas, como a de sair com amigos e forçar a barra na alegria quando se está muito deprimido, ou a de manter um vínculo - seja ele qual for - com aquela pessoa que você já não suporta, mas tem medo de se perguntar por quê. Deste modo, impelida por essa força estranha, a pessoa pode se oferecer doses gigantescas de constrangimento, infelicidade, frustração, e alguns episódios de puro mau gosto quanto à estética da vida.
É por isso que eu admiro a raça, a bravura do corpo.
Você tá lá, toda blasé, olhando de lado, considerando cafona conversar sobre aquele assunto, e enquanto isso, a doença vem e se instala, chega com as malas e pega logo o melhor quarto.
Dá-lhe tosse, febre, dor e fadiga. Tudo bem, é só uma gripe.
Não é, meus queridos. Confiem em mim.
Você constrói essa atitude de que não está sofrendo por alguma coisa, de que está tudo resolvido dentro do seu psiquismo, e de que "quando quiser, tudo vai acabar tomando seu devido lugar". E repete isso - internamente - com tanta convicção, que seu ego - que não é lá muito esperto - acaba por acreditar. Daí você leva sua vida normalmente. Quer dizer, em termos...
Porque aí vem a insônia e simplesmente se senta no seu colo. E não se levanta até a hora em que você precisa ir trabalhar. Aí, sim, ela sai de cena, e aparece um sono avassalador.
Isso é o seu corpo te chamando de idiota.
A falsidade que podemos impor a nós mesmos não costuma ter limites. Existem cenas clássicas, como a de sair com amigos e forçar a barra na alegria quando se está muito deprimido, ou a de manter um vínculo - seja ele qual for - com aquela pessoa que você já não suporta, mas tem medo de se perguntar por quê. Deste modo, impelida por essa força estranha, a pessoa pode se oferecer doses gigantescas de constrangimento, infelicidade, frustração, e alguns episódios de puro mau gosto quanto à estética da vida.
É por isso que eu admiro a raça, a bravura do corpo.
Você tá lá, toda blasé, olhando de lado, considerando cafona conversar sobre aquele assunto, e enquanto isso, a doença vem e se instala, chega com as malas e pega logo o melhor quarto.
Dá-lhe tosse, febre, dor e fadiga. Tudo bem, é só uma gripe.
Não é, meus queridos. Confiem em mim.
sexta-feira, 25 de novembro de 2011
Situação e objeto
Quantas vezes não confundimos estes dois elementos. Uma pessoa importante se mescla à cidade na qual a conhecemos. Uma experiência prazerosa tinge de tons vibrantes um lugar apático. Uma relação de conforto e segurança tece os contornos de uma figura que, em si, pouco tem de especial.
Acredito que o afeto às vezes se propague deste modo: por contágio. Afinal, contagiar é próprio da afetividade. A alegria, a tristeza, a raiva, o humor são sensações partilháveis que podem afetar, causar um efeito no outro. Não é preciso ler Freud e sua Psicologia de Grupo para entender este tipo de atravessamento da excitação, que, vindo do campo externo toma o sujeito física e psiquicamente. Basta ir assistir o futebol no estádio, presenciar uma briga ou um fato muito marcante socialmente. As reações, os comentários, os desejos e as paixões do outro ecoam em nossas percepções, produzindo, por sua vez, reações, comentários e desejos em nós.
Lembro-me de algumas vezes em que participei de cerimônias religiosas e, apesar de admirar a estética litúrgica, e a segurança que transparecia no semblante das pessoas, ter a clareza de não estar sentindo nada de diferente. Ouvindo o relato dos fiéis, seus agradecimentos e descrições de felicidade, alívio, confiança, esperança, questionei-me se por acaso não estaria deixando passar minha fé por não saber reconhecê-la. Pouco tempo levei para concluir que não sabia do que aquelas pessoas estavam falando, e que, por mais bonito e reconfortante que parecesse carregar tais certezas, eu não poderia fazê-lo. Pelo menos não sem ser desonesta comigo mesma.
Assumir que não nos sentimos tocados por algo que é extremamente importante e excitante a alguém que nos rodeia é de uma coragem nem sempre reconhecida e valorizada. Os adolescentes sabem perfeitamente do sofrimento solitário que pode atingir aquele que ousa exibir um gosto distinto do de sua turma. Isso porque a aceitação do outro e a decorrente confirmação identitária que ela acarreta são aspectos que buscamos, independente da fase do desenvolvimento psíquico que vivenciamos. Na idade adulta, estas necessidades de pertencimento e semelhança costumam assumir formas mais sutis, mais sublimadas, o que não quer dizer menos significativas. Certamente as relações de consumo permeiam estes nódulos, evocando em nós a vontade de adquirir certos bens que caracterizam aqueles nos quais queremos nos espelhar.
Creio que seria ingênuo falar aqui sobre certa "independência" de nossos desejos, pois estes são exatamente herdeiros do contato que travamos diariamente com o mundo externo. Não acredito num desejo genuíno, natural, próprio ao sujeito. O desejo, visto que de afeto, é afetável, afetado. Porém, uma reflexão sobre o que há de mais alienante (aqui no sentido de perder parte de si mesmo) neste desejo sempre é possível.
O quanto de nós vibra com a vitória do time favorito, ou se compadece com uma causa social, ou ama o parceiro que propicia bons momentos? O que é perdido, recusado, adormecido quando, no intercâmbio das sensações, cedemos aos apelos do grupo, da maioria, dos que nos amam ( e/ou que amamos)?
Ainda que não possuam respostas fechadas e definitivas, estas perguntas parecem apontar algumas possibilidades de viver, amar e desejar de forma mais singular, não se tratando de uma essência de si mesmo, mas de um modo criativo e único de organizar as interferências e invasões que nos constituem.
Acredito que o afeto às vezes se propague deste modo: por contágio. Afinal, contagiar é próprio da afetividade. A alegria, a tristeza, a raiva, o humor são sensações partilháveis que podem afetar, causar um efeito no outro. Não é preciso ler Freud e sua Psicologia de Grupo para entender este tipo de atravessamento da excitação, que, vindo do campo externo toma o sujeito física e psiquicamente. Basta ir assistir o futebol no estádio, presenciar uma briga ou um fato muito marcante socialmente. As reações, os comentários, os desejos e as paixões do outro ecoam em nossas percepções, produzindo, por sua vez, reações, comentários e desejos em nós.
Lembro-me de algumas vezes em que participei de cerimônias religiosas e, apesar de admirar a estética litúrgica, e a segurança que transparecia no semblante das pessoas, ter a clareza de não estar sentindo nada de diferente. Ouvindo o relato dos fiéis, seus agradecimentos e descrições de felicidade, alívio, confiança, esperança, questionei-me se por acaso não estaria deixando passar minha fé por não saber reconhecê-la. Pouco tempo levei para concluir que não sabia do que aquelas pessoas estavam falando, e que, por mais bonito e reconfortante que parecesse carregar tais certezas, eu não poderia fazê-lo. Pelo menos não sem ser desonesta comigo mesma.
Assumir que não nos sentimos tocados por algo que é extremamente importante e excitante a alguém que nos rodeia é de uma coragem nem sempre reconhecida e valorizada. Os adolescentes sabem perfeitamente do sofrimento solitário que pode atingir aquele que ousa exibir um gosto distinto do de sua turma. Isso porque a aceitação do outro e a decorrente confirmação identitária que ela acarreta são aspectos que buscamos, independente da fase do desenvolvimento psíquico que vivenciamos. Na idade adulta, estas necessidades de pertencimento e semelhança costumam assumir formas mais sutis, mais sublimadas, o que não quer dizer menos significativas. Certamente as relações de consumo permeiam estes nódulos, evocando em nós a vontade de adquirir certos bens que caracterizam aqueles nos quais queremos nos espelhar.
Creio que seria ingênuo falar aqui sobre certa "independência" de nossos desejos, pois estes são exatamente herdeiros do contato que travamos diariamente com o mundo externo. Não acredito num desejo genuíno, natural, próprio ao sujeito. O desejo, visto que de afeto, é afetável, afetado. Porém, uma reflexão sobre o que há de mais alienante (aqui no sentido de perder parte de si mesmo) neste desejo sempre é possível.
O quanto de nós vibra com a vitória do time favorito, ou se compadece com uma causa social, ou ama o parceiro que propicia bons momentos? O que é perdido, recusado, adormecido quando, no intercâmbio das sensações, cedemos aos apelos do grupo, da maioria, dos que nos amam ( e/ou que amamos)?
Ainda que não possuam respostas fechadas e definitivas, estas perguntas parecem apontar algumas possibilidades de viver, amar e desejar de forma mais singular, não se tratando de uma essência de si mesmo, mas de um modo criativo e único de organizar as interferências e invasões que nos constituem.
sábado, 29 de outubro de 2011
Superego relax
Pode ver televisão.
Claro, depois do seriado você estuda.
Dorme um pouco mais, que o corpo ainda está cansado.
Tá atrasado, mas quem liga? Todo mundo pode esperar uns minutinhos.
E pra quê se poupar mais esse prazer gastronômico?
Coma o que quiser, o quanto quiser, quando quiser.
Saia, veja, pegue, compre.
Use mais, peça, tenha.
Amanhã é outro dia, poupar é pros fracos.
Ame, aceite, peça mais, e mais ainda.
Você merece.
Cobre dos outros, do mundo, é preciso mais.
Mais.
Mais.
Mais.
E mais.
Claro, depois do seriado você estuda.
Dorme um pouco mais, que o corpo ainda está cansado.
Tá atrasado, mas quem liga? Todo mundo pode esperar uns minutinhos.
E pra quê se poupar mais esse prazer gastronômico?
Coma o que quiser, o quanto quiser, quando quiser.
Saia, veja, pegue, compre.
Use mais, peça, tenha.
Amanhã é outro dia, poupar é pros fracos.
Ame, aceite, peça mais, e mais ainda.
Você merece.
Cobre dos outros, do mundo, é preciso mais.
Mais.
Mais.
Mais.
E mais.
quinta-feira, 27 de outubro de 2011
Não trabalho com.
Eu não trabalho com alguns conceitos. Não trabalho com algumas possibilidades. Não trabalho, por exemplo, com a ideia de não comer chocolate.
"Cortei o açucar", disse-me outro dia um trintão.
Acho que nem quando eu tiver tipo, noventa anos, eu vou trabalhar com essa dieta.
No sugar, no gain, meu lema.
Outro dia eu li um blog, e a moça falava que não trabalha com voluptuosidade. Tá no direito dela.
Eu, no momento, não trabalho com denegação.
Fui explicar pra um lacaniano qual era a minha questão de mestrado. Perversão, McDougall, introjeção, identificação, Laplanche, primazia da alteridade, etc.
Ele pediu que eu explicasse como se pode pensar em perversão sem ter de falar em denegação e fetichismo.
Acho legítima sua pergunta. Entendo.
Mas, a questão é que eu não trabalho com a denegação agora.
Sei que existe, tá lá, sei as referências, tenho até, as referências aqui em casa, na estante.
Mas é de uma simplicidade reconfortante isso do NÃO.
A escritora não quer saber de sensualidade.
Eu quero saber do meu açucar.
Minha dissertação quer saber da McDougall e do Laplanche.
O Lacan, a denegação, e o fetichismo eu não tenho trabalhado.
E é um jeito muito prático de aprofundar no meu tema de pesquisa, este de "não querer saber".
"Cortei o açucar", disse-me outro dia um trintão.
Acho que nem quando eu tiver tipo, noventa anos, eu vou trabalhar com essa dieta.
No sugar, no gain, meu lema.
Outro dia eu li um blog, e a moça falava que não trabalha com voluptuosidade. Tá no direito dela.
Eu, no momento, não trabalho com denegação.
Fui explicar pra um lacaniano qual era a minha questão de mestrado. Perversão, McDougall, introjeção, identificação, Laplanche, primazia da alteridade, etc.
Ele pediu que eu explicasse como se pode pensar em perversão sem ter de falar em denegação e fetichismo.
Acho legítima sua pergunta. Entendo.
Mas, a questão é que eu não trabalho com a denegação agora.
Sei que existe, tá lá, sei as referências, tenho até, as referências aqui em casa, na estante.
Mas é de uma simplicidade reconfortante isso do NÃO.
A escritora não quer saber de sensualidade.
Eu quero saber do meu açucar.
Minha dissertação quer saber da McDougall e do Laplanche.
O Lacan, a denegação, e o fetichismo eu não tenho trabalhado.
E é um jeito muito prático de aprofundar no meu tema de pesquisa, este de "não querer saber".
domingo, 23 de outubro de 2011
Companheirismo
A vida é mais ou menos como quando você, mulher que estuda e trabalha, está se maquiando na segunda de manhã, e passa o lápis preto num olho. E o traço fica tão bonito, tão lisinho, com aquela finalização com pontinha levemente arrebitada, que você para uns dois minutos pra admirar. Quando vai fazer o outro olho, não sei se por pressão da perfeição primeira, ou se por ter tremido levemente a mão quando algum vizinho gritou, o traço sai errado. Feio. Não horrível, de modo que você se veja obrigada a limpar tudo e fazer de novo, mas de um jeito que, tendo em vista o adiantar das horas e o trânsito lá fora, um remendo no olho de lá seja necessário.
Então o que você faz, minha cara leitora?
Dá uma ajeitada no olho tortinho, limpa um pouquinho com o dedo aquela borrada, e no outro, por cima do traço lindinho, delicado, lembrando a maquiagem da Marilyn, você faz um outro traço, mais grosso, mais tosco.
Não chega a ficar ruim o resultado. Você percebe que assim os dois olhos estão simétricos, que a maquiagem está correta.
Mas sempre fica aquela sensação: podia ter sido bem melhor.
Quantas vezes você tem a certeza de que fez tudo certo, brilhou na ideia, no planejamento, na execução. Você escolheu a dedo, foi legal, se esforçou pra não fazer muita cara de preguiça e/ou de "morre, diabo!", investiu, se mostrou interessante... Ficou um trabalho tão orgulhosamente apresentável que você parou pra contemplar, e pensou: sou foda!
Daí vem o outro, o desavisado, o manco, o coxo, o perdido na vida, e nos brinda com aquele traço tremido.
Porra, fulano!!!
Agora vou ter que estragar o meu também.
Então o que você faz, minha cara leitora?
Dá uma ajeitada no olho tortinho, limpa um pouquinho com o dedo aquela borrada, e no outro, por cima do traço lindinho, delicado, lembrando a maquiagem da Marilyn, você faz um outro traço, mais grosso, mais tosco.
Não chega a ficar ruim o resultado. Você percebe que assim os dois olhos estão simétricos, que a maquiagem está correta.
Mas sempre fica aquela sensação: podia ter sido bem melhor.
Quantas vezes você tem a certeza de que fez tudo certo, brilhou na ideia, no planejamento, na execução. Você escolheu a dedo, foi legal, se esforçou pra não fazer muita cara de preguiça e/ou de "morre, diabo!", investiu, se mostrou interessante... Ficou um trabalho tão orgulhosamente apresentável que você parou pra contemplar, e pensou: sou foda!
Daí vem o outro, o desavisado, o manco, o coxo, o perdido na vida, e nos brinda com aquele traço tremido.
Porra, fulano!!!
Agora vou ter que estragar o meu também.
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