<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-6337308621087983702</id><updated>2012-01-13T04:20:31.496-02:00</updated><title type='text'>aventuras da menina má</title><subtitle type='html'></subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://aventurasdameninama.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6337308621087983702/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://aventurasdameninama.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>meninama</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05605206690926845475</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-Ei11RhdR6lU/TjVu04jUELI/AAAAAAAAAIM/0EXuGV2swfU/s220/1941pinup_1271.jpg'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>46</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6337308621087983702.post-7809453135489520469</id><published>2011-12-23T12:39:00.000-02:00</published><updated>2011-12-23T12:39:57.050-02:00</updated><title type='text'>Um par de meias</title><content type='html'>Prometi a mim mesma que não faria uma postagem sobre o Natal.&lt;div&gt;Não gosto muito desta papagaiada.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Não tenho nada contra a ceia - não mesmo!&lt;/div&gt;&lt;div&gt;E também gosto dos presentes, quando eles vêem.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Mas me incomoda o sentimentalismo artificial.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Não me sinto confortável em ter que abraçar uma pessoa da qual não gosto, e falar "te desejo um feliz ano novo!", sendo que na verdade não desejo.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Acho, no mínimo, infantil e maníaca essa aura de "bom mocismo" que nos invade em dezembro.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;E os apelos são tão fortes, o bombardeio é tão pesado, que uma ou outra breguice acabamos cometendo.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Estou aqui a escrever que "não gosto disso e aquilo no Natal", o que configura um certo falar sobre estas atividades festivas, das quais eu tinha me proibido, tamanho o clichê.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Tenho duas recordações muito boas desta data: uma de quando eu ganhei um aparelho de som do meu pai, aos seis anos. Foi um presente muito maior do que eu esperava, e fiquei bastante contente.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;A outra é de um Natal que acabei passando na casa da avó de uma prima, na fazenda.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Não me lembro bem porque fui parar lá, já que nem meus pais, nem meu irmão foram.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Também não me lembro quantos anos eu tinha, mas foi pouco depois do Natal que acabei de citar.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Não teve nada de extraordinário na noite. As tias da minha prima ficaram fazendo um suspense sobre os presentes que ela ganharia, e sobre a chegada do Papai Noel.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Nós alucinamos sua entrada na casa, e até os detalhes de sua roupa vermelha. "Eu vi ele, eu vi!!"&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Mas o mais legal, foi que na hora de abrir os presentes, eu ganhei um par de meias.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Eram bonitinhas, mas nada que justificasse a permanência dessa lembrança até os dias atuais.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;O que me intrigou foi que eu tinha ido (sido despachada?) à ceia bem na última hora, ninguém sabia que a minha prima traria uma &lt;strike&gt;penetra &lt;/strike&gt;&amp;nbsp;convidada, e mesmo assim, na embalagem estava escrito: "para Larissa".&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Passei a noite toda pensando como era curioso aquilo. Alguém estar te esperando, sem saber que você vem.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Na minha ingenuidade, não passou pela minha cabeça que algum netinho tinha ganho um par de meias a menos, para que eu fosse incluída na cena.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;De qualquer jeito, a acolhida da "vovó por uma noite" não passou em branco pela cabecinha de uma menina sedenta por Barbies, mochilas da Company, e patins.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Ser desejado antes mesmo de ser.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Acho que este é o único presente que vale a pena, e que compensa a baranguice natalina.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Venha ele como vier.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6337308621087983702-7809453135489520469?l=aventurasdameninama.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://aventurasdameninama.blogspot.com/feeds/7809453135489520469/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6337308621087983702&amp;postID=7809453135489520469' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6337308621087983702/posts/default/7809453135489520469'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6337308621087983702/posts/default/7809453135489520469'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://aventurasdameninama.blogspot.com/2011/12/um-par-de-meias.html' title='Um par de meias'/><author><name>meninama</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05605206690926845475</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-Ei11RhdR6lU/TjVu04jUELI/AAAAAAAAAIM/0EXuGV2swfU/s220/1941pinup_1271.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6337308621087983702.post-2956614237605822889</id><published>2011-12-02T19:45:00.002-02:00</published><updated>2011-12-02T20:15:29.477-02:00</updated><title type='text'>À la Pierre Weil</title><content type='html'>Eis que quando você se supera na hipocrisia ao contrário, dizendo pra si mesma que "tudo bem, isso não é uma questão para mim", seu corpo ri da sua cara.&lt;br /&gt;Você constrói essa atitude de que não está sofrendo por alguma coisa, de que está tudo resolvido dentro do seu psiquismo, e de que "quando quiser, tudo vai acabar tomando seu devido lugar". E repete isso - internamente - com tanta convicção, que seu ego - que não é lá muito esperto - acaba por acreditar. Daí você leva sua vida normalmente. Quer dizer, em termos...&lt;br /&gt;Porque aí vem a insônia e simplesmente se senta no seu colo. E não se levanta até a hora em que você precisa ir trabalhar. Aí, sim, ela sai de cena, e aparece um sono avassalador.&lt;br /&gt;Isso é o seu corpo te chamando de idiota.&lt;br /&gt;A falsidade que podemos impor a nós mesmos não costuma ter limites. Existem cenas clássicas, como a de sair com amigos e forçar a barra na alegria quando se está muito deprimido, ou a de manter um vínculo - seja ele qual for - com aquela pessoa que você já não suporta, mas tem medo de se perguntar por quê. Deste modo, impelida por essa força estranha,&amp;nbsp;a pessoa pode se oferecer doses gigantescas de constrangimento, infelicidade, frustração, e alguns episódios de puro mau gosto quanto à estética da vida.&lt;br /&gt;É por isso que eu admiro a raça, a bravura do corpo.&lt;br /&gt;Você tá lá, toda blasé, olhando de lado, considerando cafona conversar sobre aquele assunto, e enquanto isso, a doença vem e se instala, chega com as malas e pega logo o melhor quarto.&lt;br /&gt;Dá-lhe tosse, febre, dor e fadiga. Tudo bem, é só uma gripe.&lt;br /&gt;Não é, meus queridos. Confiem em mim.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6337308621087983702-2956614237605822889?l=aventurasdameninama.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://aventurasdameninama.blogspot.com/feeds/2956614237605822889/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6337308621087983702&amp;postID=2956614237605822889' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6337308621087983702/posts/default/2956614237605822889'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6337308621087983702/posts/default/2956614237605822889'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://aventurasdameninama.blogspot.com/2011/12/la-pierre-weil.html' title='À la Pierre Weil'/><author><name>meninama</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05605206690926845475</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-Ei11RhdR6lU/TjVu04jUELI/AAAAAAAAAIM/0EXuGV2swfU/s220/1941pinup_1271.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6337308621087983702.post-4887867094191674748</id><published>2011-11-25T14:51:00.001-02:00</published><updated>2011-11-25T14:53:03.195-02:00</updated><title type='text'>Situação e objeto</title><content type='html'>Quantas vezes não confundimos estes dois elementos. Uma pessoa importante se mescla à cidade na qual a conhecemos. Uma experiência prazerosa tinge de tons vibrantes um lugar apático. Uma relação de conforto e segurança tece os contornos de uma figura que, em si, pouco tem de especial.&lt;br /&gt;Acredito que o afeto às vezes se propague deste modo: por contágio. Afinal, contagiar é próprio da afetividade. A alegria, a tristeza, a raiva, o humor são sensações partilháveis que podem &lt;i&gt;afetar, &lt;/i&gt;causar um efeito no outro. Não é preciso ler Freud e sua Psicologia de Grupo para entender este tipo de atravessamento da excitação, que, vindo do campo externo toma o sujeito física e psiquicamente. Basta ir assistir o futebol no estádio, presenciar uma briga ou um fato muito marcante socialmente. As reações, os comentários, os desejos e as paixões do outro ecoam em nossas percepções, produzindo, por sua vez, reações, comentários e desejos em nós. &lt;br /&gt;Lembro-me de algumas vezes em que participei de cerimônias religiosas e, apesar de admirar a estética litúrgica, &amp;nbsp;e a segurança que transparecia no semblante das pessoas, ter a clareza de não estar sentindo nada de diferente. Ouvindo o relato dos fiéis, seus agradecimentos e descrições de felicidade, alívio, confiança, esperança, questionei-me se por acaso não estaria deixando passar minha fé por não saber reconhecê-la. Pouco tempo levei para concluir que não sabia do que aquelas pessoas estavam falando, e que, por mais bonito e reconfortante que parecesse carregar tais certezas, eu não poderia fazê-lo. Pelo menos não sem ser desonesta comigo mesma.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;Assumir que não nos sentimos tocados por algo que é extremamente importante e excitante a alguém que nos rodeia é de uma coragem nem sempre reconhecida&amp;nbsp;e valorizada. Os adolescentes sabem perfeitamente do sofrimento solitário que pode atingir aquele que ousa exibir um gosto distinto do de sua turma.&lt;b&gt; &lt;/b&gt;Isso&amp;nbsp;porque&amp;nbsp;a aceitação do outro e a decorrente confirmação identitária que ela acarreta são aspectos que buscamos, independente da fase do desenvolvimento psíquico que vivenciamos. Na idade adulta, estas necessidades de pertencimento e semelhança costumam assumir formas mais sutis, mais sublimadas, o que não quer dizer menos significativas. Certamente as relações de consumo permeiam estes nódulos, evocando em nós a vontade de adquirir certos bens que caracterizam aqueles nos quais queremos nos espelhar.&lt;br /&gt;Creio que seria ingênuo falar aqui sobre certa "independência" de nossos desejos, pois estes são exatamente herdeiros do contato que travamos diariamente com o mundo externo. Não acredito num desejo genuíno, natural, próprio ao sujeito. O desejo, visto que de afeto, é afetável, afetado. Porém, uma reflexão sobre o que há de mais alienante (aqui no sentido de perder parte de si mesmo) neste desejo sempre é possível.&lt;br /&gt;O quanto de nós vibra com a vitória do time favorito, ou se compadece com uma causa social, ou ama o parceiro que propicia bons momentos? O que é perdido, recusado, adormecido quando, no intercâmbio das sensações, cedemos aos apelos do grupo, da maioria, dos que nos amam ( e/ou que amamos)?&lt;br /&gt;Ainda que não possuam respostas fechadas e definitivas, estas perguntas parecem apontar algumas possibilidades de viver, amar e desejar de forma mais singular, não se tratando&amp;nbsp;de uma essência de si mesmo, mas de um modo criativo e único de organizar as interferências e invasões que nos constituem.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6337308621087983702-4887867094191674748?l=aventurasdameninama.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://aventurasdameninama.blogspot.com/feeds/4887867094191674748/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6337308621087983702&amp;postID=4887867094191674748' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6337308621087983702/posts/default/4887867094191674748'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6337308621087983702/posts/default/4887867094191674748'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://aventurasdameninama.blogspot.com/2011/11/situacao-e-objeto.html' title='Situação e objeto'/><author><name>meninama</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05605206690926845475</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-Ei11RhdR6lU/TjVu04jUELI/AAAAAAAAAIM/0EXuGV2swfU/s220/1941pinup_1271.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6337308621087983702.post-7540841459654879212</id><published>2011-10-29T02:51:00.000-02:00</published><updated>2011-10-29T02:51:10.690-02:00</updated><title type='text'>Superego relax</title><content type='html'>Pode ver televisão.&lt;br /&gt;Claro, depois do seriado você estuda.&lt;br /&gt;Dorme um pouco mais, que o corpo ainda está cansado.&lt;br /&gt;Tá atrasado, mas quem liga? Todo mundo pode esperar uns minutinhos.&lt;br /&gt;E pra quê se poupar mais esse prazer gastronômico?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Coma o que quiser, o quanto quiser, quando quiser.&lt;br /&gt;Saia, veja, pegue, compre.&lt;br /&gt;Use mais, peça, tenha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Amanhã é outro dia, poupar é pros fracos.&lt;br /&gt;Ame, aceite, peça mais, e mais ainda.&lt;br /&gt;Você merece.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cobre dos outros, do mundo, é preciso mais.&lt;br /&gt;Mais.&lt;br /&gt;Mais.&lt;br /&gt;Mais.&lt;br /&gt;E mais.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6337308621087983702-7540841459654879212?l=aventurasdameninama.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://aventurasdameninama.blogspot.com/feeds/7540841459654879212/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6337308621087983702&amp;postID=7540841459654879212' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6337308621087983702/posts/default/7540841459654879212'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6337308621087983702/posts/default/7540841459654879212'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://aventurasdameninama.blogspot.com/2011/10/superego-relax.html' title='Superego relax'/><author><name>meninama</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05605206690926845475</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-Ei11RhdR6lU/TjVu04jUELI/AAAAAAAAAIM/0EXuGV2swfU/s220/1941pinup_1271.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6337308621087983702.post-1009685349121279767</id><published>2011-10-27T00:39:00.000-02:00</published><updated>2011-10-27T00:39:35.774-02:00</updated><title type='text'>Não trabalho com.</title><content type='html'>Eu não trabalho com alguns conceitos. Não trabalho com algumas possibilidades. Não trabalho, por exemplo, com a ideia de não comer chocolate.&lt;br /&gt;"Cortei o açucar", disse-me outro dia um trintão.&lt;br /&gt;Acho que nem quando eu tiver tipo, noventa anos, eu vou trabalhar com essa dieta.&lt;br /&gt;No sugar, no gain, meu lema.&lt;br /&gt;Outro dia eu li um blog, e a moça falava que não trabalha com voluptuosidade. Tá no direito dela.&lt;br /&gt;Eu, no momento, não trabalho com denegação.&lt;br /&gt;Fui explicar pra um lacaniano qual era a minha questão de mestrado. Perversão, McDougall, introjeção, identificação, Laplanche, primazia da alteridade, etc.&lt;br /&gt;Ele pediu que eu explicasse como se pode pensar em perversão sem ter de falar em denegação e fetichismo.&lt;br /&gt;Acho legítima sua pergunta. Entendo.&lt;br /&gt;Mas, a questão é que eu não trabalho com a denegação agora.&lt;br /&gt;Sei que existe, tá lá, sei as referências, tenho até, as referências aqui em casa, na estante.&lt;br /&gt;Mas é&amp;nbsp;de uma simplicidade reconfortante isso do NÃO.&lt;br /&gt;A escritora não quer saber de sensualidade.&lt;br /&gt;Eu quero saber do meu açucar.&lt;br /&gt;Minha dissertação quer saber da McDougall e do Laplanche.&lt;br /&gt;O Lacan, a denegação, e o fetichismo eu não tenho trabalhado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E é um jeito muito prático de aprofundar no meu tema de pesquisa, este de "não querer saber".&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6337308621087983702-1009685349121279767?l=aventurasdameninama.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://aventurasdameninama.blogspot.com/feeds/1009685349121279767/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6337308621087983702&amp;postID=1009685349121279767' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6337308621087983702/posts/default/1009685349121279767'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6337308621087983702/posts/default/1009685349121279767'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://aventurasdameninama.blogspot.com/2011/10/nao-trabalho-com.html' title='Não trabalho com.'/><author><name>meninama</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05605206690926845475</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-Ei11RhdR6lU/TjVu04jUELI/AAAAAAAAAIM/0EXuGV2swfU/s220/1941pinup_1271.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6337308621087983702.post-7644266945253707861</id><published>2011-10-23T17:50:00.000-02:00</published><updated>2011-10-23T17:50:24.874-02:00</updated><title type='text'>Companheirismo</title><content type='html'>A vida é mais ou menos como quando você, mulher que estuda e trabalha, está se maquiando na segunda de manhã, e passa o lápis preto num olho. E o traço fica tão bonito, tão lisinho, com aquela finalização com pontinha levemente arrebitada, que você para uns dois minutos pra admirar. Quando vai fazer o outro olho, não sei se por pressão da perfeição primeira, ou se por ter tremido levemente a mão quando algum vizinho gritou, o traço sai errado. Feio. Não horrível, de modo que você se veja obrigada a limpar tudo e fazer de novo, mas de um jeito que, tendo em vista o adiantar das horas e o trânsito lá fora, um remendo no olho de lá seja necessário.&lt;br /&gt;Então o que você faz, minha cara leitora?&lt;br /&gt;Dá uma ajeitada no olho tortinho, limpa um pouquinho com o dedo aquela borrada, e no outro, por cima do traço lindinho, delicado, lembrando a maquiagem da Marilyn, você faz um outro traço, mais grosso, mais tosco.&lt;br /&gt;Não chega a ficar ruim o resultado. Você percebe que assim os dois olhos estão simétricos, que a maquiagem está correta.&lt;br /&gt;Mas sempre fica aquela sensação: podia ter sido bem melhor.&lt;br /&gt;Quantas vezes você tem a certeza de que fez tudo certo, brilhou na ideia, no planejamento, na execução. Você escolheu a dedo, foi legal, se esforçou pra não fazer muita cara de preguiça e/ou de "morre, diabo!", investiu, se mostrou interessante... Ficou um trabalho tão orgulhosamente apresentável que você parou pra contemplar, e pensou: sou foda!&lt;br /&gt;Daí vem o outro, o desavisado, o manco, o coxo, o perdido na vida, e nos brinda com aquele traço tremido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porra, fulano!!!&lt;br /&gt;Agora vou ter que estragar o meu também.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6337308621087983702-7644266945253707861?l=aventurasdameninama.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://aventurasdameninama.blogspot.com/feeds/7644266945253707861/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6337308621087983702&amp;postID=7644266945253707861' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6337308621087983702/posts/default/7644266945253707861'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6337308621087983702/posts/default/7644266945253707861'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://aventurasdameninama.blogspot.com/2011/10/companheirismo.html' title='Companheirismo'/><author><name>meninama</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05605206690926845475</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-Ei11RhdR6lU/TjVu04jUELI/AAAAAAAAAIM/0EXuGV2swfU/s220/1941pinup_1271.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6337308621087983702.post-8606746525878821869</id><published>2011-09-29T00:16:00.001-03:00</published><updated>2011-09-29T00:18:47.858-03:00</updated><title type='text'>Novelas e literatura</title><content type='html'>Desde os tempos mais remotos lembro de ter um fraco por novelas. Mencionei na última postagem minha fixação infantil pela lendária Carrossel, que era exibida no SBT.&lt;br /&gt;Mais tarde, já na era Rede Globo, adorava Malhação, e toda a provação que vinha em seguida: novela das 6, das 7, das 8...&lt;br /&gt;Tinha o JN, que passava enquanto eu tomava um banho, e jantava (ah, me dê um desconto, eu era muito moleca ainda).&lt;br /&gt;A diretriz pedagógica lá de casa entendeu que aquela globaiada não fazia muito bem ao psiquismo ainda incipiente de uma menina.&lt;br /&gt;Sob inúmeros protestos, resmungos, e "ninguém tem uma casa tão chata quanto a minha!", fui obrigada, a partir de certa idade, a ler um livro por novela que quisesse acompanhar.&lt;br /&gt;No início, revoltada, li com raiva as páginas de uma obra que não me lembro mais qual foi. Mas era pra constar: se eu li, posso saber de tudo que acontece em "Irmãos Coragem" (remake, claaaaaro!!).&lt;br /&gt;Já quando li "O meu pé de Laranja Lima" a coisa começou a mudar: me apaixonei tanto pelo Zezé que esquecia de ligar a televisão. Devorava a história com gosto, e quando não estava lendo, brincava de tudo que o personagem gostava de fazer.&lt;br /&gt;Criei um hábito: inventava histórias. Primeiro, fantasiando, imaginando cenas que podiam fazer parte de algum livro. Depois, eu mesma as escrevia.&lt;br /&gt;Hoje posso dizer que a coisa se inverteu um pouco. Muitas vezes sou eu a indicar títulos pro pessoal de casa saborear a leitura.&lt;br /&gt;Ainda gosto de algumas novelas, mas me surpreendo - e me incomodo - com a falta de crítica de muita gente por aí.&lt;br /&gt;Gente pensando que bonito é quem tá na TV, que cantor bacana é aquele que aparece no Faustão, e que inteligente mesmo, é o casal Bonner.&lt;br /&gt;Por tudo isso venho publicamente agradecer por ter passado a infância numa casa &lt;i&gt;tão&lt;/i&gt; &lt;i&gt;chata quanto a minha.&lt;/i&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6337308621087983702-8606746525878821869?l=aventurasdameninama.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://aventurasdameninama.blogspot.com/feeds/8606746525878821869/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6337308621087983702&amp;postID=8606746525878821869' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6337308621087983702/posts/default/8606746525878821869'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6337308621087983702/posts/default/8606746525878821869'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://aventurasdameninama.blogspot.com/2011/09/novelas-e-literatura.html' title='Novelas e literatura'/><author><name>meninama</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05605206690926845475</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-Ei11RhdR6lU/TjVu04jUELI/AAAAAAAAAIM/0EXuGV2swfU/s220/1941pinup_1271.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6337308621087983702.post-7632220878127278442</id><published>2011-08-22T01:39:00.000-03:00</published><updated>2011-08-22T01:39:56.772-03:00</updated><title type='text'>Comportamento</title><content type='html'>Nunca tive inveja de quem tem bons modos. Nunca. Nem na pré-escola. E cabe um preâmbulo aqui, porque também não quero que fique esta imagem de que eu era daquelas crianças endemoniadas, sem educação, e diagnosticadas (erroneamente) com TDAH. &lt;br /&gt;Na verdade eu era&amp;nbsp;bem quieta.&amp;nbsp;Ficava no meu cantinho a&amp;nbsp;maior parte do tempo. Brincando, assistindo "Carrossel", ou viajando na maionese, que era o que eu mais fazia. Tinha minhas coleguinhas, fazia tranquilamente os meus deveres de casa, e etc e tal. &lt;br /&gt;Só que não era assim exatamente por ter bons modos, sabe.&lt;br /&gt;Era uma timidez tão egossintônica, tão gostosa de viver, que eu fluía com a vida.&lt;br /&gt;Mas, ah, a minha mãe desde cedo entendeu do que se tratava.&lt;br /&gt;"Mas que gracinha, ela é um amor de menina! Não dá trabalho nenhum! Nem parece criança..."&lt;br /&gt;Mamãe não se enganava. O amor de menina podia passar temporadas na mais completa candura, até que uma idéia mirabolante surgisse em sua mente... e lá se ia uma casa arrumada, uma roupa nova, um irmãozinho sem escoriações.&lt;br /&gt;Poderia obedecer ternamente aos adultos, tirar 10 nas provas, levar o lixo sozinha, mesmo morando no décimo andar (e olha que era frequente o elevador dar problema), e tudo mais. Até que... cismava que não queria mais tomar toddy naquele copo. E dava um problema danado, porque eu queria tomar numa xícara de porcelana que só era usada em ocasiões especiais. A minha mãe vetava terminantemente estes disparates, e, claro, começava a guerra.&lt;br /&gt;De repente, a menina boazinha, o amor de criança, aquela fofa branquinha de óculos, que falava baixinho, se transformava numa criatura irritante, atrevida, e determinada.&lt;br /&gt;Quanto tempo, e quanto castigo era necessário para demovê-la de suas idéias...&lt;br /&gt;Eu poderia falar sobre masoquismo aqui. Mas prefiro pensar na rejeição dos bons modos.&lt;br /&gt;"Que me tomem pela tímida, pela esquisita, pela quatro-olhos... mas a menina de bons modos, NÃO!!!"&lt;br /&gt;É que eu tinha muito amor pelas vontades condenáveis, pelos atos de mini-vandalismo, como no dia em que eu e as minhas primas jogamos todo o chantilly do bolo de aniversário no teto. &lt;br /&gt;Sabe, pra mim estava tudo certo viver tolerando a falta de grana, a chatice de algumas professoras, de alguns (muitos) colegas, a braveza da minha mãe, e a falta de brigadeiro no final de todas as refeições.&lt;br /&gt;Mas abdicar do prazer destas contravenções, destes rompantes de menina detestável, insolente e repreensível... isso não dava!&lt;br /&gt;E por isso mesmo eu também não levava às últimas consequências esta faceta "levada da breca". Também não queria que fosse um traço a me definir.&lt;br /&gt;Eu gostava da liberdade: hoje eu posso simplismente sentar e caprichar no colorido que a professora pediu pra fazer... ou... jogar água em todas as roupas de cama da casa.&lt;br /&gt;Ah, quanta possibilidade é retirada daquele que&amp;nbsp;tem bons modos!&lt;br /&gt;E eis que hoje, me pego invejando pessoas focadas. &lt;br /&gt;Aquelas que fazem o que precisam fazer, que planejam as coisas e executam exatamente as mesmas, que optam por&amp;nbsp;estratégias úteis e práticas, ao invés das delirantes e irresistíveis.&lt;br /&gt;Que fazem listas de coisas que devem ser resolvidas ao longo do dia.&lt;br /&gt;E realmente resolvem.&lt;br /&gt;Pessoas que falam baixo, educadamente, quando estão com algum problema.&lt;br /&gt;Que dizem "estou chateada com você" ao outro.&lt;br /&gt;Acho que nunca na minha vida falei que estava chateada com alguém.&lt;br /&gt;Eu costumo ficar chateada quando não encontro o controle remoto. Ou quando estou no meio do banho, e percebo que o shampoo acabou. Isso é chateação, pra mim.&lt;br /&gt;Com as pessoas eu tenho sensações e sentimentos que ultrapassam em muito este limiar.&lt;br /&gt;Geralmente nestes momentos eu lembro de algumas cenas da minha infância e penso:&lt;br /&gt;escrevo uma lista, ou boto fogo na boneca?&lt;br /&gt;É estranho, mas eu realmente tenho sentido admiração por estas pessoas metódicas, que levam a vida em tons pastéis.&lt;br /&gt;Como seria tranquilo não ser interrompida pelas necessidades irremediáveis que minam minha concentração para estudar, trabalhar, ou seja lá o que eu estiver fazendo.&lt;br /&gt;Como seria mais fácil uma vida sem o perigo de olhar para a televisão e ela exercer todo um magnetismo sobre você, justo no dia que aquele artigo precisa sair.&lt;br /&gt;Como seria satisfatório não agir contra si mesmo e gastar aquele dinheiro suado em menos de 10 minutos, ou desperdiçar o esforço de meses de ginástica e dieta num pote de Nutella.&lt;br /&gt;Quando penso que eu poderia tentar uma revolução neste sentido, imagino o trabalhão que daria. &lt;br /&gt;Acho que fico bem mais do que chateada com isso.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6337308621087983702-7632220878127278442?l=aventurasdameninama.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://aventurasdameninama.blogspot.com/feeds/7632220878127278442/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6337308621087983702&amp;postID=7632220878127278442' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6337308621087983702/posts/default/7632220878127278442'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6337308621087983702/posts/default/7632220878127278442'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://aventurasdameninama.blogspot.com/2011/08/comportamento.html' title='Comportamento'/><author><name>meninama</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05605206690926845475</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-Ei11RhdR6lU/TjVu04jUELI/AAAAAAAAAIM/0EXuGV2swfU/s220/1941pinup_1271.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6337308621087983702.post-7938683203725156743</id><published>2011-07-31T02:39:00.001-03:00</published><updated>2011-07-31T02:43:42.890-03:00</updated><title type='text'>Meninas.</title><content type='html'>Há tempos que não coloco uma postagem contando sobre minhas aventuras maldosas no campo amoroso... Estaria a própria autora descaracterizando o blog?&lt;br /&gt;É verdade que já escrevi uma vez, há mais de um ano, sobre certo desapontamento quanto às minhas experiências românticas (que de romantismo não tinham nada), e sobre o tédio que me consumia. Mas&amp;nbsp;aquela também pode ser considerada uma postagem sobre minha vida amorosa...&lt;br /&gt;Que tem acontecido, então?&lt;br /&gt;Fazendo uma breve análise em meus escritos ( tarefa por demais penosa, pois sempre fico um pouco constrangida com isso...) percebi que ultimamente meus textos ficaram menos presos ao tema que originou este espaço: a insatisfação de uma mulher em relação aos homens que encontrava em seu caminho.&lt;br /&gt;Sim, porque foi exatamente por isso que criei este blog. &lt;br /&gt;Pra contar minhas decepções, minhas surpresas, ora engraçadas, ora tristes, bizarras, ou comoventes...&lt;br /&gt;E então saiu do forno: &lt;strong&gt;'Aventuras da menina má'&lt;/strong&gt;. &lt;br /&gt;E começou mais sarcástico, ácido, cheio de espetadas com as quais eu esperava secretamente ferir os&amp;nbsp;"maus parceiros"... causar-lhes embaraço, provocar reflexão, quem sabe arrependimento e até mudança.&lt;br /&gt;Prepotência? Concordo.&lt;br /&gt;Mas na minha ingênua compreensão das coisas, naquela época (e estamos falando de poucos anos atrás), achava que os fins careciam de explicações, de vinganças, de revanches...&lt;br /&gt;Tolinha...&lt;br /&gt;Escrevendo-me, deixei que meus demônios me possuíssem.&lt;br /&gt;Permiti que todo pensamento baixo, vulgar, egoísta e clichê&amp;nbsp;viesse e se servisse das letras.&lt;br /&gt;Seria muita pretenção - mais - dizer que não houve censura nenhuma... Porque houve. Há censura.&lt;br /&gt;Alguns textos não tive coragem de escrever. Outros, não soube bem como publicar.&lt;br /&gt;Mas de alguma forma, há pitadinhas de tudo que existe de realmente ruim em mim espalhadas pelo blog inteiro.&lt;br /&gt;E foi fazendo este trabalho de mostrar a menina má, que encontrei uma outra garota.&lt;br /&gt;Já a conhecia de vista. Sua fisionomia não me&amp;nbsp;era estranha. Mas pouco nos falávamos.&lt;br /&gt;Agora ela tem me dito coisas, e pede que as escreva aqui.&lt;br /&gt;Voilà!!&lt;br /&gt;Tá decidido: puxei outra cadeira, convidei-a para se sentar. Nós duas de olho na tela do computer.&lt;br /&gt;"Corta o gerúndio dessa palavra, pelo amor de Deus!", "Acho que se falar de um jeito mais indireto fica mais sofisticado...", "ah, mas queria chegar chutando o balde mesmo, sabe?"...&lt;br /&gt;Que&amp;nbsp;este cenário aqui&amp;nbsp;abrigue também, nessa wave mais democrática, aventuras boas, experiências satisfatórias, contentamentos (pasmem!!!) com o universo deles.&lt;br /&gt;Menos sarcasmo, mais delicadeza. Ironia ao lado do romantismo.&lt;br /&gt;Por enquanto somos nós duas. &lt;br /&gt;Mas se aparecerem outras meninas, vou convidar também.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6337308621087983702-7938683203725156743?l=aventurasdameninama.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://aventurasdameninama.blogspot.com/feeds/7938683203725156743/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6337308621087983702&amp;postID=7938683203725156743' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6337308621087983702/posts/default/7938683203725156743'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6337308621087983702/posts/default/7938683203725156743'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://aventurasdameninama.blogspot.com/2011/07/meninas.html' title='Meninas.'/><author><name>meninama</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05605206690926845475</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-Ei11RhdR6lU/TjVu04jUELI/AAAAAAAAAIM/0EXuGV2swfU/s220/1941pinup_1271.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6337308621087983702.post-8129276452915682849</id><published>2011-07-25T00:10:00.001-03:00</published><updated>2011-07-25T02:35:50.481-03:00</updated><title type='text'>Spigui e Mme Cs</title><content type='html'>&lt;span style="font-family: inherit;"&gt;De acordo com a classificação do CID-10, nos episódios depressivos a pessoa&amp;nbsp;"apresenta um rebaixamento do humor (sim), redução da energia (sim) e diminuição da atividade (sim). Existe alteração da capacidade de experimentar o prazer (sim), perda de interesse (sim), diminuição da capacidade de concentração (sim), associadas em geral à fadiga importante (sim), mesmo após um esforço mínimo. Observam-se em geral problemas do sono (sim) e diminuição do apetite (definitivamente não!). Existe quase sempre uma diminuição da auto-estima (néam?!) e da autoconfiança e frequentemente idéias de culpabilidade e ou de indignidade (totalmente sim), mesmo nas formas leves." &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: inherit;"&gt;A maioria destes ítens se apresenta hoje em meu estado de espírito. Mas outros também se agregam, mesmo que de forma efêmera, à inusitada colagem de afetos que me compõe agora. Entre eles, súbitas vontades de morar em lugares distantes, de nunca mais ver um rosto conhecido, e começar a vida do zero, de sair com o melhor vestido de festa e beber quantos Mojitos o corpo aguentar, de ficar deitada no sofá para todo o sempre, usando meus últimos reais para&amp;nbsp;contratar o irmão mais novo para me trazer comida e água...&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Entretanto, tais desejos radicais me dão as costas com a mesma intensidade com que brotam. Não duram nem o tempo necessário para que eu decida qual é o meu melhor vestido de festa...&lt;br /&gt;No fim das contas, continuo de camisola, mudando de canal, verificando atualizações na net...&lt;br /&gt;Eis que a consciência, meio bêbada ainda, acorda, cutuca revoltada o superego desleixado e flácido, berrando que uma dissertação de mestrado deve ser escrita imediatamente.&lt;br /&gt;Posso ouvir seus gritinhos estridentes (sim, pois é uma magrela infeliz a minha consciência): "Onde ela pensa que vai chegar dessa maneira? Além de tudo, sabe há quanto tempo ela não faz ginástica? Acha que pode ficar comendo pizza depois dos 25?"&lt;br /&gt;Com a complacência que lhe é característica, meu robusto superego afirma, cansado e revirando os olhos daquele jeito irônico que só eu mesma sei imitar: "Ora... mas o que quer que eu faça?? Mais pensamentos ruins do que os que eu tenho lhe enviado mente adentro é impossível!! E já usei de todos os recursos... pesadelos com monstros da infância, terrores noturnos, medos de abandono, fantasias de suplícios... nada parece funcionar! Já&amp;nbsp;me sinto cansado, fraco... sinceramente, perdi o gás..."&lt;br /&gt;A consciência retruca: "Eu te avisei! Avisei, avisei!! Desde o princípio te disse que&amp;nbsp;acostumava essa menina muito&amp;nbsp;mal! Todas aquelas concessões, aqueles caprichozinhos que concordava em deixá-la realizar, e tudo sem nenhum castigo! Só poderia dar nisso! Agora, me diga, como ficamos??"&lt;br /&gt;Eu, penalizada pelo meu camarada supergo (que eu carinhosamente chamo de &lt;em&gt;Spigui&lt;/em&gt;), e pelo esfrega que estava levando, tento dizer à cs que ele realmente tentara fazer um bom trabalho comigo, e tudo mais. Mas, como aqueles treinadores que amam seus atletas como se fossem filhos, não conseguia me punir verdadeiramente, já que cada repreensão&amp;nbsp;acabava sendo&amp;nbsp;tão doce quanto a própria subversão cometida. &lt;br /&gt;Intolerante, mal educada, e de uma arrogância ímpar, a Senhora Cs me arrebita o nariz e afirma que se necessário fosse corrigiria os erros de &lt;em&gt;Spigui&lt;/em&gt; com mãos de ferro. Que nunca em toda sua vida conhecera ser tão desmazelado, inconsequente,&amp;nbsp;cuja &amp;nbsp;moral fosse tão questionável e a conduta tão tortuosa como eu, e que não mediria esforços para mudar tal situação, já que, se afundasse esta&amp;nbsp;Comandante Sparrow, afundariam também ela e &lt;em&gt;Spigui,&lt;/em&gt; o que jamais permitiria enquanto vivesse. &lt;br /&gt;Até este momento, estava disposta a relevar sua agressividade e sua histeria, ignorando o ataque justiceiro da Senhora Cs, pois sabia que sem um aval do meu aliado ela não tinha muitos poderes. Entretanto, soltou uma última frase, entre dentes, com voz rouca e grave, que conferiu mais severidade ao que disse, que me fez mudar de idéia:&lt;br /&gt;"Sem falar nestes quilinhos a mais...que lhe fazem perder até mesmo o charme das jovens desmioladas...".&lt;br /&gt;Brutalmente ferida, humilhada pelo golpe baixo de&amp;nbsp;Mme Cs, saí repentinamente de minha prostração e tomei a atitude mais enérgica que me foi possível no momento. Decretei, aos gritos e safanões, que não a queria mais morando sob o mesmo teto que eu. Ou melhor, que não a queria morando sob o meu teto, que arrumasse imediatamente suas coisas e partisse tão logo quanto possível! Que não mais toleraria este tipo de insulto torpe em minha própria mente, e que este acontecimento servisse de exemplo para todos os outros que ousassem me afrontar!&lt;br /&gt;Orgulhosa até o fim, Senhora Cs não se rebaixou, não se desculpou nem voltou atrás. Fez as malas, partiu sem nem mesmo um suspiro mais longo que revelasse qualquer traço de pesar. Ainda que &lt;em&gt;Spigui&lt;/em&gt; tenha tentado interceder a seu favor, não lhe dei ouvidos.&lt;br /&gt;A velha se foi. Ficamos só eu e ele.&lt;br /&gt;Meu velho amigo.&lt;br /&gt;Nós dois e a calmaria.&lt;br /&gt;Nada de gritos.&lt;br /&gt;Sonharíamos juntos os mais belos pesadelos.&lt;br /&gt;Faríamos nada por tardes, madrugadas, semanas a fio...&lt;br /&gt;Perderíamos prazos, gastaríamos dinheiro de forma irresponsável.&lt;br /&gt;Saborearíamos o pavor de não conseguir realizar as tarefas a tempo, de não estar à altura da expectativa alheia, de fracassar de forma magistral e definitiva.&lt;br /&gt;Ah, como seria belo este estrago. Que liberdade pode se encontrar assim!!&lt;br /&gt;Vislumbrando tanta decadência terna, fomos à locadora, eu e &lt;em&gt;Spigui&lt;/em&gt;.&lt;br /&gt;"O que vai ser hoje, amigo? Comédia?"&lt;br /&gt;"Ora, minha querida, não brinque assim... sabes muito bem que será Terror".&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6337308621087983702-8129276452915682849?l=aventurasdameninama.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://aventurasdameninama.blogspot.com/feeds/8129276452915682849/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6337308621087983702&amp;postID=8129276452915682849' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6337308621087983702/posts/default/8129276452915682849'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6337308621087983702/posts/default/8129276452915682849'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://aventurasdameninama.blogspot.com/2011/07/spigui-e-mme-cs.html' title='Spigui e Mme Cs'/><author><name>meninama</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05605206690926845475</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-Ei11RhdR6lU/TjVu04jUELI/AAAAAAAAAIM/0EXuGV2swfU/s220/1941pinup_1271.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6337308621087983702.post-7775156114772875735</id><published>2011-04-17T05:19:00.000-03:00</published><updated>2011-04-17T05:19:32.852-03:00</updated><title type='text'>Deslocamentos, descentramento</title><content type='html'>Tudo mudou. &lt;br /&gt;Hora de repensar a escrita, as confissões, as formas de ser e as identificações.&lt;br /&gt;A vida agora é mais clara.&lt;br /&gt;Não tanto que se torne fácil, é verdade.&lt;br /&gt;Mas é mais clara.&lt;br /&gt;Já não fica mais aquele aperto sem nome no peito quando alguém vai embora.&lt;br /&gt;Era pra ter ido? &lt;br /&gt;Era.&lt;br /&gt;E o que&amp;nbsp;resta são algumas lembranças boas, meio pote de mágoa, algumas reclamações, e um ou outro objeto esquecido no armário desde a última vez juntos.&lt;br /&gt;Mas nada que se compare ao poço profundo de outras épocas.&lt;br /&gt;A solidão agora não amedronta tanto, porque ela é povoada.&lt;br /&gt;De certezas, de carinhos, de confianças, de amores e de vontade de viver da melhor forma possível.&lt;br /&gt;Quase sai uma "esperança" na frase acima. Mas era um pouco brega.&lt;br /&gt;Enfim, acabou saindo. Esperança, é isso mesmo?&lt;br /&gt;É!!&lt;br /&gt;Jogar a máscara pro alto, testar outras definições, e por que não dizer, outros significantes...&lt;br /&gt;A liberdade é esta: a menina é outra coisa.&lt;br /&gt;Tantas coisas... tão repleta. Tão facetada.&lt;br /&gt;Que ficou pequeno, mesquinho, até covarde&lt;br /&gt;chamá-la de "má".&lt;br /&gt;Tudo mudou...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6337308621087983702-7775156114772875735?l=aventurasdameninama.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://aventurasdameninama.blogspot.com/feeds/7775156114772875735/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6337308621087983702&amp;postID=7775156114772875735' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6337308621087983702/posts/default/7775156114772875735'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6337308621087983702/posts/default/7775156114772875735'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://aventurasdameninama.blogspot.com/2011/04/deslocamentos-descentramento.html' title='Deslocamentos, descentramento'/><author><name>meninama</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05605206690926845475</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-Ei11RhdR6lU/TjVu04jUELI/AAAAAAAAAIM/0EXuGV2swfU/s220/1941pinup_1271.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6337308621087983702.post-6049460624592709137</id><published>2010-10-19T00:28:00.000-02:00</published><updated>2010-10-19T00:28:32.996-02:00</updated><title type='text'>Reparação</title><content type='html'>Uma psicanalista afirma que os perversos -&amp;nbsp;que chama de &lt;em&gt;inovadores sexuais -&lt;/em&gt; tendem a manter uma relação de reparação constante - e maníaca - com seus objetos amorosos. Por reparação maníaca, para quem não preza a Sra. Klein, leia-se uma compulsiva e inconclusa tentativa de compensar os danos causados ao outro, algo sem muita reflexão e aprimoramento psíquico, mais próximo da descarga pulsional.&lt;br /&gt;Pois bem, trata-se de Joyce McDougall, que ousou dizer que, sim, &lt;em&gt;os perversos também amam&lt;/em&gt;... e mais: sentem-se culpados. Se existe um impulso à reparação, quer dizer que há em jogo algum quinhão de culpa...&lt;br /&gt;Culpa de quê?&lt;br /&gt;Em sua construção teórica, McDougall afirma que os desviantes no cenário sexual - ou seja, aqueles que precisam forjar um outro modo de fruição do prazer orgástico - lidam com uma grande falta em suas&amp;nbsp; representações internas. É como se para estas pessoas o objeto primário, a figura daquele que encarna toda a segurança e contenção de que necessita um bebê no início da vida, não pudesse ser retido. Se este outro que ampara se furta, não existe uma idéia, um símbolo que assegure para o sujeito que ele está protegido contra todos os percalços do mundo.&lt;br /&gt;Dá para imaginar o enorme desamparo que tal situação poderia provocar em todos nós. E também o ódio que surgiria em seguida, deste adulto que deveria cuidar, e nos abandona sem dar garantias de seu retorno...&lt;br /&gt;A busca frenética do perverso por um objeto que o complete - seja no fetiche, na encenação sadomasoquista, na pedofilia, ou no exibicionismo e voyerismo - cumpre a função de preencher o buraco deixado no passado. Encontrar um substituto para este outro que não mais&amp;nbsp;lhe pertence, tomar posse dele, e repará-lo (à sua maneira) de todo o mal que suas fantasias destrutivas possam ter feito.&lt;br /&gt;Entretanto, como disse, na perversão a reparação não é completa: não há um reconhecimento real das consequências nocivas de seus atos. O desviante se desculpa de quem ama-odeia propondo-lhe um teatro de que tudo vai bem. Neste sentido,&amp;nbsp;demonstrações exageradas de afeto podem vir junto com irrupções coléricas, elogios são, ao mesmo tempo, carícias&amp;nbsp;e zombarias dirigidas ao outro, condutas aparentemente misericordiosas revelam objetivos cruéis. &lt;br /&gt;Muitos autores insistem em afirmar o caráter manipulador e cínico dos perversos.&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Ora, se sopram agora, é que já pensam em morder depois...&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;A crença nesta postura totalmente arquitetada&amp;nbsp;do perverso&amp;nbsp;escamoteia uma faceta preciosa de sua personalidade. &lt;br /&gt;Não, ele não perdoa tão fácil. Para alguns o horror do abandono é impossível de esquecer.&lt;br /&gt;Punição se une à indenização que o sujeito oferece ao objeto: como tão bem ilustra o sádico que açoita e acaricia sua parceira no ato sexual.&lt;br /&gt;Mas reparação, &lt;em&gt;à la posição depressiva&lt;/em&gt;, como prega Melanie Klein... isso já é outra coisa...&lt;br /&gt;Esta ferida não cicatrizada purga, e esquecê-la seria , para os desviantes de McDougall, abrir mão da própria existência. Pois algumas pessoas constituem uma identidade apoiando-se nesta chaga: no desejo ardente de vingança, e na esperança de manter vivo e ileso aquele que faz sofrer...&lt;br /&gt;Qualquer semelhança com nossos sentimentos mais reprimidos não é mera coincidência.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6337308621087983702-6049460624592709137?l=aventurasdameninama.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://aventurasdameninama.blogspot.com/feeds/6049460624592709137/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6337308621087983702&amp;postID=6049460624592709137' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6337308621087983702/posts/default/6049460624592709137'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6337308621087983702/posts/default/6049460624592709137'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://aventurasdameninama.blogspot.com/2010/10/reparacao.html' title='Reparação'/><author><name>meninama</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05605206690926845475</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-Ei11RhdR6lU/TjVu04jUELI/AAAAAAAAAIM/0EXuGV2swfU/s220/1941pinup_1271.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6337308621087983702.post-2909434772387269504</id><published>2010-07-21T01:06:00.000-03:00</published><updated>2010-07-21T01:06:16.394-03:00</updated><title type='text'>Veneno</title><content type='html'>As palavras que não se dizem são as que falam mais alto.&lt;br /&gt;Os assuntos sempre evitados, volta e meia nos abordam em sonhos - diúrnos ou noturnos.&lt;br /&gt;Os amores nunca declarados são os que mais machucam.&lt;br /&gt;Os piores inimigos nos fazem falta, muita falta...&lt;br /&gt;Não é a tristeza que se teme, e sim a absoluta felicidade.&lt;br /&gt;A minha petulância é do tamanho do meu medo de perder.&lt;br /&gt;Minha arrogância se alimenta da minha fraqueza.&lt;br /&gt;E eu sinto que sozinha vou acabar deixando se existir... então respiro fundo, e desfiro ainda alguns insultos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6337308621087983702-2909434772387269504?l=aventurasdameninama.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://aventurasdameninama.blogspot.com/feeds/2909434772387269504/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6337308621087983702&amp;postID=2909434772387269504' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6337308621087983702/posts/default/2909434772387269504'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6337308621087983702/posts/default/2909434772387269504'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://aventurasdameninama.blogspot.com/2010/07/veneno.html' title='Veneno'/><author><name>meninama</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05605206690926845475</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-Ei11RhdR6lU/TjVu04jUELI/AAAAAAAAAIM/0EXuGV2swfU/s220/1941pinup_1271.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6337308621087983702.post-8348805719169586608</id><published>2010-07-19T23:11:00.002-03:00</published><updated>2010-07-21T00:39:56.638-03:00</updated><title type='text'>Contradições demasiadamente humanas</title><content type='html'>Acabo de ler o impressionante ‘A Sangue Frio’, de Truman Capote. O livro, que segundo o próprio autor inaugurou um novo gênero literário (romance de não – ficção), trata do assassinato de quatro membros da mesma família numa pequena cidade no estado do Kansas, EUA, em 1959.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A história do crime que causou medo na população tranquila de Holcomb, cidade em que se situava a fazenda da família Clutter, é excitante. Desde o patético engano que levou os assassinos a invadirem a casa e matar os proprietários e dois filhos, até a curiosa infância errante de um dos criminosos, Perry Smith, nos deparamos com pitorescos incidentes que aguçam ainda mais nosso interesse pelo ocorrido. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entretanto, o aspecto mais admirável da obra de Capote não é – a meu ver – sua habilidade em contar de modo atraente um caso de violência e seus desdobramentos na vida dos moradores da cidadezinha em que tudo aconteceu. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que me capturou (totalmente, diga-se de passagem) nesta leitura foi a forma como o autor traça a personalidade dos responsáveis pelas quatro mortes. Perry Smith e Richard Hickock nos são apresentados, não apenas pelos crimes que cometeram, mas com toda uma gama profunda de pensamentos, ações, sentimentos e matizes que os tornam extremamente humanos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Confesso que em vários momentos tive a sensação de que a pena aplicada ao caso – pena de morte – foi justa, e que os condenados mereceram pagar com a própria morte aquelas vidas que tiraram brutalmente, e por razões tão banais. (Cabe aqui dizer que Smith e Hickock pensavam encontrar um cofre na propriedade dos Clutter, de onde roubariam até U$ 10.000,00. No entanto, esta informação estava incorreta, e no fim das contas conseguiram levar apenas U$ 50,00 que tiraram da carteira do Sr. Clutter) Em outras passagens, porém, tinha profundo respeito e admiração por Perry Smith, principalmente por suas tentativas de demonstrar certa erudição e inteligência, a despeito da falta de oportunidade que tivera para estudar. As cenas de espancamento, estupro, abandono, fome e todo tipo de exposição a descontrole que aparecem na história da vida de Smith, se não chegam a comover, pelo menos permitem entender – e não digo aceitar ou, mesmo “perdoar” – a explosão de violência que vitimou a distinta família de classe abastada do Kansas em 59. O mesmo vale para Hickock, o Dick: apesar da postura contida e racional, as confidências a Capote acerca de suas tendências à pedofilia nos mostram outra faceta deste homem...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Muitos pontos do livro foram objeto de especulação após a publicação deste romance não – fictício. O que seria de fato verdadeiro, e quanto teria da imaginação do autor em ‘A Sangue Frio’? Para além deste debate, de qualquer pesquisa exaustiva do material (que, por sinal, Capote realizou durante 5 longos anos), ou mesmo da credibilidade dos leitores nos fatos tais como contados pelo autor, um ponto indiscutivelmente brilhante se destaca nesta obra. Ao mergulhar na vida dos dois criminosos, tão odiados por todos que conheciam ou tinham ouvido falar da adorável família Clutter, Capote abre uma janela através da qual é difícil enxergar. Conhecendo aqueles homens sobre os quais todo o mal parecia ter sido projetado pelos moradores de Holcomb, destrinchando-lhes a história, narrando sobre eles acontecimentos corriqueiros, às vezes engraçados, o autor faz com que pouco a pouco nos reconheçamos neles. Alguns traços identificatórios inevitavelmente vão surgindo: uma ou outra brincadeira infantil da qual nos recordamos, um jeito especial de maltratar cachorros, sentimentos hostis pelos que nos agrediram em algum momento do passado... Estes nódulos de reconhecimento, através dos quais percebemos que também abrigamos partes de Dick Hickock ou de Perry Smith, servem para dissolver a fronteira entre virtude e defeito, generosidade e violência, monstruoso e humano. Pois esta linha parece ser muito mais tênue do que supomos quando nos definimos, tomando de empréstimo alguns adjetivos escolhidos a nosso gosto. Fronteira movediça, da qual Capote deve ter se dado conta enquanto se envolvia com os dois assassinos. Pelo que o livro deixa transparecer, o autor revelou extrema simpatia por Hickock e Smith, ajudando-os a contratar bons advogados e a adiar a execução várias vezes. Em outros momentos, porém, Capote parece ter desconsiderado a fragilidade dos presos enquanto colhia deles material para sua escrita, desejando, inclusive, que a pena se cumprisse, para que pudesse finalmente acabar o livro.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6337308621087983702-8348805719169586608?l=aventurasdameninama.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://aventurasdameninama.blogspot.com/feeds/8348805719169586608/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6337308621087983702&amp;postID=8348805719169586608' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6337308621087983702/posts/default/8348805719169586608'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6337308621087983702/posts/default/8348805719169586608'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://aventurasdameninama.blogspot.com/2010/07/contradicoes-demasiadamente-humanas.html' title='Contradições demasiadamente humanas'/><author><name>meninama</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05605206690926845475</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-Ei11RhdR6lU/TjVu04jUELI/AAAAAAAAAIM/0EXuGV2swfU/s220/1941pinup_1271.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6337308621087983702.post-6943071702004071271</id><published>2010-07-17T01:06:00.000-03:00</published><updated>2010-07-17T01:06:53.676-03:00</updated><title type='text'>Ligeirinho</title><content type='html'>Conversa entre dois operários dentro do ônibus:&lt;br /&gt;- O cara que inventou o dinheiro é muito filho-da-puta, né não?&lt;br /&gt;-Se é... inventou um negócio que não pára na mão de ninguém. Um dia a gente tem, no outro não...&amp;nbsp;ô negócio que gosta de andar...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;e não é que eles têm razão?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;:(&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6337308621087983702-6943071702004071271?l=aventurasdameninama.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://aventurasdameninama.blogspot.com/feeds/6943071702004071271/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6337308621087983702&amp;postID=6943071702004071271' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6337308621087983702/posts/default/6943071702004071271'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6337308621087983702/posts/default/6943071702004071271'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://aventurasdameninama.blogspot.com/2010/07/ligeirinho.html' title='Ligeirinho'/><author><name>meninama</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05605206690926845475</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-Ei11RhdR6lU/TjVu04jUELI/AAAAAAAAAIM/0EXuGV2swfU/s220/1941pinup_1271.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6337308621087983702.post-6594070480344071264</id><published>2010-06-04T00:05:00.000-03:00</published><updated>2010-06-04T00:05:54.616-03:00</updated><title type='text'>Cadência</title><content type='html'>Nunca fui uma pessoa feliz. Quando criança, não era feliz. Eu chorava. Não achava graça nas brincadeiras dos meus colegas. Me chamavam de esquisita. &lt;br /&gt;Eu desconfiava de tudo. Odiava os velhinhos que nos davam chocolates e biscoitos, estes que têm pinta de vovôs sem netos. Meus amigos adoravam-nos. Pegavam suas guloseimas como ratinhos famintos. Eu nunca aceitava. Adivinhava a maldade escondida por trás daquelas rugas e pantufas. &lt;br /&gt;Na adolescência, era pior. O mundo já era ruim o bastante para mim desde sempre. Desde que me entendia por gente. Mas quando entrei na puberdade, descobri que as coisas ainda podiam piorar. Eu era feia. Os meninos do meu colégio não olhavam para mim. Nem eu pra eles. Chamava-os, em segredo, de perfeitos imbecis inúteis. Nome pomposo, para contrastar com a insignificância de meus colegas na minha vida. Idiotas. Não namorei. Não gostava de conversar. Preferia ficar em casa, trancada em meu quarto, onde podia destilar melhor meu ódio. Pensar em tudo que gostaria de fazer com minha família... Acreditem, não eram pensamentos puros... &lt;br /&gt;Um belo dia, minha mãe inventou que eu devia me crismar. É, aquela palhaçada religiosa. Crisma: um sacramento, confirmação de um laço com a Igreja, era o que eles diziam. Laço com a Igreja? Só se for a Satânica, eu pensava. Acho que a monitora de crisma foi a primeira pessoa que planejei matar. &lt;br /&gt;Eu sei, falei da minha família. Mas a eles eu só desejava fazer sofrer. Machucados, lacerações, torturas psicológicas. Nossos laços patológicos eram intensos demais para deixá-los ir assim tão fácil. Não, não queria que eles morressem. &lt;br /&gt;Mas a monitora... ah, esta sim. Desejei matá-la. Uma punhalada, certeira, bem no meio do coração. Imaginava um coração, como a gente via no laboratório de biologia da escola, um de boi, sendo partido ao meio, o sangue jorrando, e ele parando aos poucos de bater. &lt;br /&gt;Me deliciava com esta imagem enquanto aquela idiota falava de amor, de Jesus... ela usava a palavra 'Cristo'. Acho que nunca falou Jesus. O nome dele. Cristo... O modo como ela pronunciava 'Cristo' só me fazia pensar mais e mais em uma forma de matá-la. Ela dizia, o sangue jorrava na minha imaginação. &lt;br /&gt;Conheci o que era sexo aos vinte e seis anos de idade. O canalha não acreditava que eu fosse virgem. Riu da minha cara, o babaca. Subiu em cima de mim como um porco, grunhiu feito um animal, como aqueles que eu via na fazenda do meu avô quando era pequena. Lembrei de quando capavam os bichos. Amarravam as patas deles, cortavam o saco com um golpe rápido, e escorria um fio grosso e vermelho. Os porcos faziam um barulho horrível. De sofrimento. Minhas primas tinham medo, ou aflição, sei lá. Parece que não suportavam ver um ser agonizando. Eu gostava. Ouvia tudo, enquanto elas tapavam as orelhas com as mãos. &lt;br /&gt;Quando o homem saiu de cima de mim, depois de me esporrar como se fizesse com uma puta qualquer, senti vontade de laçar seus braços e pernas com uma corda bem firme. O pensamento que me martelava a mente era que eu gostaria muito de castrá-lo, igualzinho faziam meus tios e meu avô. Como o porco que ele era. E ele, o homem, com aquele sorrizinho babaca, com aquela cara de satisfeito, aquele membro meio flácido, perguntando se eu tinha gozado. &lt;br /&gt;Meu casamento aconteceu quando eu achei que poderia viver o resto de minha vida em paz, sozinha. Conheci o Sandro num bar que costumava frequentar, perto de onde eu morava. Gostava de ir lá quase todas as noites, pouco depois de voltar do trabalho. Enchia os cornos, trocava duas palavras com o cara do bar, e depois ir embora. Dormia bem, bêbada. &lt;br /&gt;O Sandro destoava daquele pulgueiro. Era fino, elegante. Usava roupas de marca, sapatos caros. Tinha uma caneta daquelas 'Mont Blanc' no bolso, que costumava usar pra preencher os cheques quando ia pagar a conta. Vez ou outra o vi preencher cheques e entregar a algumas vagabundas. Pagava puta com cheque, o engomadinho? &lt;br /&gt;Me divertia vendo a bizarra combinação daquele filhinho da mamãe com aquele bar asqueroso. Sim, porque o lugar era um inferninho. Até eu tinha nojo. E por isso mesmo é que voltava lá, quase sempre. &lt;br /&gt;Sandro e eu começamos a transar nem me lembro mais como, nem por que. &lt;br /&gt;Eu o desprezava profundamente. O chamava de bebê chorão. O apelido veio porque ele chorou na primeira noite que saiu comigo. Me comeu chorando, imaginem que patético. &lt;br /&gt;Contou que a mulher tinha morrido, parece que em acidente de avião. E eu pensei: " E eu com isso?". O Sandro só sabia chorar. Um babaca. &lt;br /&gt;Casamos só no civil, sem festa, sem cerimônia religiosa. Também, quem é que eu poderia convidar? Não tenho amigos. Nem amigas, o que eu agradeço. Detesto as mulheres. Insuportáveis seres. Falam, fofocam, comem, se enfeitam... vacas! &lt;br /&gt;O Sandro ainda tinha uns cinco ou seis bons amigos quando nos conhecemos. Da época que ele era casado com a Marina, sua ex- mulher. Dois casais, mais o Marco e o Paulo. &lt;br /&gt;Costumavam vir aqui em casa, traziam vinho, presentes para mim, na maioria das vezes objetos de decoração para a casa. Eu nunca agradeci. Pegava o embrulho como que por obrigação. Guardava no fundo do armário, ou quebrava. Nos dias em que meu marido estava especialmente triste, eu gostava de quebrar os presentes que seus amigos me davam. Ele chorava mais. Era bom, eu pensava, que assim ele ia entendendo que sofrimento nunca é demais... &lt;br /&gt;Depois de um tempo, todos abandonaram o Sandro. Não aparecem mais aqui. Ás vezes mandam cartões de Natal ou aniversário. Eu gostei. Melhor assim. &lt;br /&gt;O Sandro não usa mais roupas de grife. Emagreceu, ficou com uns olhos fundos e uma cara de cansaço permanentes. &lt;br /&gt;Compramos uma casa na praia. Vamos sempre pra lá. Ele se senta na varanda e lê Poe. Eu fumo, cuido do jardim, e preparo as refeições. &lt;br /&gt;Não conversamos com os vizinhos. Nunca fomos a uma festa para a qual nos convidaram. Não tivemos filhos, e agora eu já estou velha demais. &lt;br /&gt;Melhor assim. Morreremos os dois juntos, aqui na casa da praia, com roupas puídas, a casa deteriorada pelo tempo. Não faremos reformas. &lt;br /&gt;Ainda passo o tempo imaginando aquele coração sendo partido ao meio. Um só golpe. talvez um machado, ou um facão bem afiado. E ele se divide em duas metades, que vão lentamente parando de se movimentar. O pulsar cessando aos poucos, o sangue saindo por todos os lados.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6337308621087983702-6594070480344071264?l=aventurasdameninama.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://aventurasdameninama.blogspot.com/feeds/6594070480344071264/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6337308621087983702&amp;postID=6594070480344071264' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6337308621087983702/posts/default/6594070480344071264'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6337308621087983702/posts/default/6594070480344071264'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://aventurasdameninama.blogspot.com/2010/06/cadencia.html' title='Cadência'/><author><name>meninama</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05605206690926845475</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-Ei11RhdR6lU/TjVu04jUELI/AAAAAAAAAIM/0EXuGV2swfU/s220/1941pinup_1271.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6337308621087983702.post-3088962098409447825</id><published>2010-06-02T01:09:00.000-03:00</published><updated>2010-06-02T01:09:05.481-03:00</updated><title type='text'>Namorando no ponto de ônibus</title><content type='html'>casal:&lt;br /&gt;- Me dá um abraço forte.&lt;br /&gt;- Pronto.&lt;br /&gt;- Ah... só isso? Quero mais forte! Me carrega tambem.&lt;br /&gt;- tó.&lt;br /&gt;- Ai... ( mulher dá gritinhos e levanta o pezinho fazendo pose enquanto o namorado a ergue três centímetros do chão)&lt;br /&gt;- Mais vochê é a coisa mais lindinha deste mundinho... tá pesadinha...que coija masi fofa!Olha estas bochechinhas aqui!Parecem dois queijinhos mineiros!!! &lt;br /&gt;- ..... &lt;br /&gt;- cadê a barriginha que eu tanto gosto? Me deixa ver aquela belezinha fofinha!&lt;br /&gt;- .... (mulher com expressão de ódio mortal)&lt;br /&gt;- cadê a barriguinha do meu amoreco????? deixa eu ver, vai.... chuchuúúúúúúú&lt;br /&gt;-..... ( mulher pensando em fazer uso de armas nucleares)&lt;br /&gt;- Tá blavinha, tá? Tá zangada? Ai, que eu adolo esta carinha de malvada!!! Faz carinha de malvada, faz! Malvada! Atrevida! Assim que eu gosto...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;mãe se retira com criança.&lt;br /&gt;idoso se ajeita no banco, meio sem graça.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- ....&lt;br /&gt;- Amor, tá chateada por causa da demora do ônibus?&lt;br /&gt;- Luis Fernando, cala essa boca!&lt;br /&gt;- ????? ( cara de indignação) Depois reclama que eu não sou carinhoso... vai entender...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6337308621087983702-3088962098409447825?l=aventurasdameninama.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://aventurasdameninama.blogspot.com/feeds/3088962098409447825/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6337308621087983702&amp;postID=3088962098409447825' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6337308621087983702/posts/default/3088962098409447825'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6337308621087983702/posts/default/3088962098409447825'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://aventurasdameninama.blogspot.com/2010/06/namorando-no-ponto-de-onibus.html' title='Namorando no ponto de ônibus'/><author><name>meninama</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05605206690926845475</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-Ei11RhdR6lU/TjVu04jUELI/AAAAAAAAAIM/0EXuGV2swfU/s220/1941pinup_1271.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6337308621087983702.post-8043936843888682470</id><published>2010-05-18T01:46:00.000-03:00</published><updated>2010-05-18T01:46:03.738-03:00</updated><title type='text'>Pais cegos, filhos invisíveis</title><content type='html'>Na semana passada fui ao cinema assistir Homem de Ferro 2. Sim, eu vi este filme. O que a gente não faz por uma boa companhia... mas apesar da bobagem já esperada e característica de todo filme de ação feito para fazer os olhos masculinos brilharem, uma cena em particular me chamou atenção. Tratava-se de um filme que o pai do futuro super herói metálico – ainda criança na cena – gravava para que o rebento assistisse, muitos anos mais tarde, e soubesse das pesquisas científicas que o genitor realizava. Nesta cena o ocupado papai de ferro tentava falar para uma filmadora sobre todas as suas descobertas no campo da física, enquanto o pequeno pupilo retirava peças das maquetes imponentes que se localizavam no imenso escritório do pai. Ao fazer isso, a criança, com cara de sapeca, parecia buscar o olhar paterno, esboçando um escode-esconde com os materiais de trabalho que estavam naquela sala. Mas Dr. Metálico não achou nada engraçado. Repreendeu o menino e chamou alguém, - que me pareceu ser a babá – para retirar a criança dali, deixando-o com seus afazeres importantes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cena mirabolante, fantástica, típica dos filmes de super heróis? Não. Aliás, poderíamos dizer que de tão banal, ela poderia ter se passado em qualquer lugar do mundo, com pais e meninos comuns, e seria fácil buscar na memória um evento parecido ocorrido em nossa própria infância. Pais e mães ora ou outra acabam perdendo a paciência com seus filhos. Mas este não é um grande problema: todos temos que lidar com as limitações dos outros em relação aos nossos desejos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em outros momentos do filme, Tony Stark (ou Homem de Ferro) refere-se a seu pai como um homem ocupado demais para ser incomodado com as questões e os problemas do filho, que teria ficado aliviado com a ida deste para um colégio interno, longe o suficiente para afastá-lo da problemática da paternidade. Ressentido, Starkizinho acabou se tornando afetivamente tão alheio ao pai quanto este sempre lhe parecera.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Até aí tudo bem. Psicologicamente compreensível, drama batido próprio das HQ: ninguém me ama, ninguém me quer, ninguém me chama de meu amor... quem poderá me defender? Eu mesmo! Cresço e viro um super poderoso. Idéia mais ou menos repetida, com mais ou menos criatividade, em muitas histórias dos heróis modernos. Mas eis que, num dado momento, outra ceninha me surpreende. Stark descobre que o pai tinha lhe deixado uma pista fundamental para resolver um problema com o qual já quebrava a cabeça. Escondido num cantinho da casa, lá estava o mapa da mina: a peça que faltava para o fim de seus tormentos... O Homem de Ferro, agora agradecido, passa a ver o pai com outros olhos. Quase como se ele dissesse: meu pai não foi negligente, ausente, distante... foi genial, e suas descobertas são o legado que me deixou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ops! Momento de raiva no cinema. Como assim? Aquele sujeito malvadão, egoísta e insensível passou a ser modelo de paternidade? O que será que eu perdi? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No dia seguinte ao cinema fui ao Subway comer um sanduíche e me sentei de frente para uma mesa onde estavam um pai, uma mãe e dois filhos. Enquanto o casal discutia, um dos meninos se mexia como uma macaca de auditório: dava pulinhos, batia palmas, gritava, rodopiava, deitava metade do corpo em cima da mesa, e daí por diante. Concentrados na briga, os pais continuavam trocando palavras em voz baixa – que pela cara que faziam não pareciam ser nada bonitas – e nem se davam conta do escândalo do menino. Além de todo o restaurante, o irmão mais novo também notou a bizarrice da cena, e perguntou, em sua linguagem infantil e adoravelmente sincera: - Irmão, por que você faz assim tão alto se eles não tão te vendo? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O guri, apesar de seus poucos aninhos, se incomodava com o apelo patético do irmão pela atenção dos pais. Estes, cegos demais para notarem o filho, tinham problemas mais sérios para tratar...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Homem de Ferro se tornou rico, poderoso, adorado, temido, e absolutamente desenvolvido tecnologicamente por causa do pai. Herdou fortuna, talento, e empresas do velho Stark. Mas há um aspecto trágico na história: nunca pôde captar o olhar paterno. Se tomou conhecimento do amor que seu pai tinha por ele, não foi através do relacionamento dos dois. O velho Stark, mesmo estando ao lado da criança, prefere falar ao filho dirigindo-se a uma câmera. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nem sempre sanduíches ou sorvetes são provas de amor. De que adianta ser forte como ferro, sendo, para quem se ama, invisível?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6337308621087983702-8043936843888682470?l=aventurasdameninama.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://aventurasdameninama.blogspot.com/feeds/8043936843888682470/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6337308621087983702&amp;postID=8043936843888682470' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6337308621087983702/posts/default/8043936843888682470'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6337308621087983702/posts/default/8043936843888682470'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://aventurasdameninama.blogspot.com/2010/05/pais-cegos-filhos-invisiveis.html' title='Pais cegos, filhos invisíveis'/><author><name>meninama</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05605206690926845475</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-Ei11RhdR6lU/TjVu04jUELI/AAAAAAAAAIM/0EXuGV2swfU/s220/1941pinup_1271.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6337308621087983702.post-6733752759275357353</id><published>2010-05-09T04:12:00.000-03:00</published><updated>2010-05-09T04:12:21.614-03:00</updated><title type='text'>Ainda.</title><content type='html'>A (eterna?) insatisfação com o "universo masculino"...&lt;br /&gt;Por que são tão burros, ó Pai??&lt;br /&gt;Eles não sabem o que dizem.&lt;br /&gt;Não sabem o que fazem.&lt;br /&gt;Não dizem o que sabem, nem fazem o que dizem.&lt;br /&gt;Há quem os perdoe?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6337308621087983702-6733752759275357353?l=aventurasdameninama.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://aventurasdameninama.blogspot.com/feeds/6733752759275357353/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6337308621087983702&amp;postID=6733752759275357353' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6337308621087983702/posts/default/6733752759275357353'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6337308621087983702/posts/default/6733752759275357353'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://aventurasdameninama.blogspot.com/2010/05/ainda.html' title='Ainda.'/><author><name>meninama</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05605206690926845475</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-Ei11RhdR6lU/TjVu04jUELI/AAAAAAAAAIM/0EXuGV2swfU/s220/1941pinup_1271.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6337308621087983702.post-6472054845979421413</id><published>2010-04-19T00:39:00.002-03:00</published><updated>2010-04-19T11:16:55.464-03:00</updated><title type='text'>Livro de receitas</title><content type='html'>E ele disse "gosto de você". Assim, sem mais nem menos. E foi tão inesperado, que ela nem reagiu. Não retribuiu o gostar, não falou que ainda era cedo para dar declarações de afeto, não fez sequer semblant de indiferença. Ficou ali sentada, olhando pro quadro na parede, pensando no que tinha esquecido de comprar no supermercado.&lt;br /&gt;Lembrou-se de que no dia anterior a tia avó fizera aniversário. Ela nem&amp;nbsp;mesmo tinha ligado, desejando felicidades. Nem ligaria. Não era um costume seu. Pensou nas tardes que passava na casa da vó Matilde - era este o nome da velha - quando ainda era bem pequena. Podia sentir o gosto daqueles biscoitos que comia com tanta voracidade. A mãe não gostava que ela se comportasse assim. A olhava com enormes olhos de coruja, claros, límpidos, exalando toda maldade que ela sentiria mais tarde, quando levasse uma surra. "Já não te ensinei que na casa dos outros não se come como uma desembestada? Parece até que deixo meus filhos passando fome!" &lt;br /&gt;Mas não era a "casa dos outros"... era casa de vó Matilde. E lá parecia outro mundo. Os móveis antigos, de madeira escura, as toalhas bordadas que enfeitavam as mesas, a louça bonita, cheia de desenhos... Lá as pessoas não falavam naturalmente, sussuravam umas com as outras, apontavam para a velha dona da casa fazendo sinais e trocando olhares cúmplices.&lt;br /&gt;Talvez este clima de mistério, de não- dizer,&amp;nbsp;fosse o que mais a&amp;nbsp;atraía naquela casa. Adorava visitar&amp;nbsp;a vó Matilde.&amp;nbsp;Não só pelos biscoitos amanteigados que ela servia, mas também pela empreitada sobre a qual se debruçava: de que será que falavam os&amp;nbsp;adultos? &lt;br /&gt;E de repente ele voltou a dizer. Gosto de você, ele disse.&lt;br /&gt;E ela não teve como escapar. Olhou bem para ele, e ele fitando seus olhos como um detetive em serviço.&lt;br /&gt;O que ele quer de mim? - pensou.&lt;br /&gt;O que é que está dizendo?&lt;br /&gt;Não sabia o que pensar. O que deveria sentir? &lt;br /&gt;Pensou que era como se vó Matilde encarnasse nela. Já estava velha, apesar de seus poucos anos.&lt;br /&gt;Não compartilhava do amor. Não sabia o que fazer dele.&lt;br /&gt;Ah, como queria servir&amp;nbsp;ao moço&amp;nbsp;uma bandeja daqueles amenteigados...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6337308621087983702-6472054845979421413?l=aventurasdameninama.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://aventurasdameninama.blogspot.com/feeds/6472054845979421413/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6337308621087983702&amp;postID=6472054845979421413' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6337308621087983702/posts/default/6472054845979421413'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6337308621087983702/posts/default/6472054845979421413'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://aventurasdameninama.blogspot.com/2010/04/livro-de-receitas.html' title='Livro de receitas'/><author><name>meninama</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05605206690926845475</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-Ei11RhdR6lU/TjVu04jUELI/AAAAAAAAAIM/0EXuGV2swfU/s220/1941pinup_1271.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6337308621087983702.post-5179936563219887073</id><published>2010-03-01T00:24:00.001-03:00</published><updated>2010-04-23T17:59:36.186-03:00</updated><title type='text'>O antídoto da Perversão</title><content type='html'>Há algum tempo venho me interessando bastante pelo tema da perversão. Além de saciar meus impulsos sádicos pesquisando histórias de violência e dominação, o que me atrai principalmente neste assunto é a configuração psíquica destes personagens aos quais costumamos atribuir a maldade e a frieza em estado bruto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se existe algo que geralmente é consenso entre aqueles que tentam abordar o tema, embora sem muita profundidade e até com certa pitada de sensacionalismo, é a concepção de que os grandes perversos – entendam-se por isso assassinos em série, ditadores, ou mesmo pessoas que cometem crimes hediondos aparentemente sem motivo – seriam privados de qualquer traço de fragilidade, de sentimentos de compaixão, culpa, ou empatia pelo outro. Embora tal premissa não esteja totalmente incorreta, tenho buscado combater&amp;nbsp;esta idéia, tendo feito disso meu tema de pesquisa no mestrado. O que procuro discutir é que por trás desta imagem de sujeito exclusivamente racional, calculista, que faz uso de sua capacidade intelectual para destruir o próximo sem o menor sinal de arrependimento, existe um arranjo psíquico bem mais complexo, e – pasmem! – muito mais vulnerável do que se imagina.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Importante: não quero com este argumento caracterizar o perverso como uma espécie de homem “vampirizado” por uma força demoníaca, externa, que demandaria nossa piedade. A violência e a intolerância que habitam o perverso são produtos de uma construção histórica, de escolhas que foram repetidamente efetuadas ao longo de sua jornada, moldando, desta forma, o caráter deste indivíduo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Recentemente dediquei-me à leitura do excelente livro de Purificacion Barcia Gomes, intitulado &lt;em&gt;O método&lt;/em&gt; &lt;em&gt;terapêutico de Scheerazade&lt;/em&gt;. Talvez com o intuito de ter uma folga de meu tema de pesquisa, mergulhei no mundo encantador das mil e uma noites, com suas histórias fantásticas e toda sua magia. Para minha surpresa, não pude deixar de encontrar ali muitos aspectos interessantes que poderia relacionar aos meus estudos sobre a perversão. Vamos a eles: a hipótese central da autora é a de que a rainha Scheerazade empreende um processo terapêutico ao semear tantas histórias no psiquismo do sultão Schariyar. Ameaçada de morte pelo marido, ela não hesita em lutar pela própria vida com a única arma que tem: a aptidão para o (bom) uso da palavra. Não cabe resumir aqui todas as facetas do riquíssimo estudo de Barcia Gomes, que não restringe sua leitura de &lt;em&gt;As mil e uma noites &lt;/em&gt;a uma simples interpretação psicanalítica deste material – o que, diga-se de passagem, já seria um trabalho e tanto. A autora visita os modos de organização social da época, a legislação, e os acontecimentos que marcaram a criação de tais histórias, presenteando os leitores com uma obra agradável e consistente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que gostaria de ressaltar a respeito desta leitura é a função de ‘&lt;em&gt;tradução&lt;/em&gt;’ da personagem Scheerazade. Ainda que soubesse que o sultão costumava desposar belas jovens e assassiná-las no dia seguinte, ela não retrocede: decide casar-se com Schariyar e se dispõe a tecer um enorme tratado de histórias que se intercalam, culminando, após mil e uma noites, na “cura” do rei.Os contos narrados pela personagem frequentemente versam sobre impulsividade e ponderação, sobre arbitrariedade e justiça, sobre extremismo e tolerância, temas que parecem atingir em cheio o coração de Schariyar. Depois de tantas noites, este se mostra mais ameno, e capaz de ligar-se afetivamente à esposa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assisti num dia destes um documentário interessante sobre o líder político e ex- presidente da África do Sul, Nelson Mandela. Sua trajetória é impressionante, sendo superada apenas pela extraordinária capacidade de diálogo deste homem. Num dos depoimentos, um amigo próximo e colega de prisão relata ter aprendido com Mandela grande lições (que não por acaso são ótimas estratégias políticas): 1- Estar sempre disposto a negociar com o inimigo, e assim sendo, por mais distante que este pareça estar de seus objetivos, demonstrar que acredita naquela aliança. 2- Nunca se afastar totalmente de seus opositores. Mantê-los por perto, falando sua língua, é a melhor forma de defesa. 3- Buscar combater a força com a mediação, a violência com a argumentação, a opressão com a organização. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que Scheerazade e Mandela têm em comum? A princípio podemos dizer que ocupam espaços totalmente distintos. Uma é personagem literária, o outro figura real que se tornou símbolo da liberdade na África. Entretanto penso que os dois são unidos pelo que arriscaria dizer ser o antídoto da perversão. Não deixa de nos surpreender o fato de um homem condenado a 27 anos de prisão por um sistema social opressor encontrar-se disposto ao diálogo e às negociações políticas com seus algozes depois de cumprir todos estes anos no isolamento. Esta vocação para a troca, para a escuta, e para a tolerância com a diferença auxiliou nosso personagem real a combater um regime que prezava pela exclusão. Tal como a esposa do sultão Schariyar, ele devolveu idéias quando recebeu sentenças, apresentou alternativas que balizassem a pura impulsividade, buscando incluir, trazer para dentro. Tal movimento, que anteriormente denominei de '&lt;em&gt;tradução'&lt;/em&gt;, mas que também podemos chamar, com Winnicott, de &lt;em&gt;função materna&lt;/em&gt; nunca pôde ser realizado na estrutura perversa. A falha que aí incide impede que o sujeito empreenda um trabalho de escritura de si mesmo, apagando seus próprios versos, reescrevendo algumas sentenças. Na perversão o que existe é um texto sagrado: um bordão que se repete sem cessar, que paralisa este eterno traduzir...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Resta, como diz a psicanalista Catherine Millot, a &lt;em&gt;inclinação para os extremos&lt;/em&gt;, a &lt;em&gt;lei da não- contradição&lt;/em&gt;, como forma de se proteger da angústia de desaparecimento. Neste cenário, a diferença torna-se uma ameaça, pois quando a reconfiguração é impossível, o outro representa um inimigo em potencial. As condutas violentas e extremistas ocorrem na mesma proporção dos temores causados pela diversidade, por aquilo&amp;nbsp;que o sujeito perverso não reconhece como seu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quem dera que nós, psicanalistas, psicólogos, terapeutas, carregássemos no bolso um Mandela, ou uma Scheerazade, e pudéssemos, como eles, dar palavras ao que é indizível, e conciliar o perverso com os matizes da existência humana...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6337308621087983702-5179936563219887073?l=aventurasdameninama.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://aventurasdameninama.blogspot.com/feeds/5179936563219887073/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6337308621087983702&amp;postID=5179936563219887073' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6337308621087983702/posts/default/5179936563219887073'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6337308621087983702/posts/default/5179936563219887073'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://aventurasdameninama.blogspot.com/2010/03/o-antidoto-da-perversao.html' title='O antídoto da Perversão'/><author><name>meninama</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05605206690926845475</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-Ei11RhdR6lU/TjVu04jUELI/AAAAAAAAAIM/0EXuGV2swfU/s220/1941pinup_1271.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6337308621087983702.post-6659997389771594148</id><published>2010-02-02T02:15:00.003-02:00</published><updated>2010-02-02T02:48:05.555-02:00</updated><title type='text'>Chuva no passeio</title><content type='html'>Quando eu era jovem, gostava de desperdiçar amores.&lt;br /&gt;Jogava fora aqueles que eu conseguia com grande esforço.&lt;br /&gt;O coleguinha da escola, que só me olhou quando lhe emprestei a caneta na prova de matemática.&lt;br /&gt;O menino da fazenda, que sempre tivera os olhos hipnotizados por minha prima.&lt;br /&gt;Difícil convencê-lo de que eu também podia ser bonita, ou interessante.&lt;br /&gt;Mas por fim, o venci pelo cansaço.&lt;br /&gt;E foi aí que o deixei cair através da janela do meu quarto.&lt;br /&gt;Lá de cima, do alto do prédio, via os pedacinhos de amor se espalhando pelo passeio.&lt;br /&gt;Não me arrependia.&lt;br /&gt;E não quero parecer altruísta: não era por culpa ou bondade.&lt;br /&gt;Era só por desperdiçar.&lt;br /&gt;Guardava numa caixinha, junto com meu único brinco de ouro e uns dentes de leite, as mágoas que mais me haviam ferido.&lt;br /&gt;Muitas de mãe, tantas de pai.&lt;br /&gt;Poucas de irmãos.&lt;br /&gt;Menos ainda dos outros.&lt;br /&gt;Algumas eram tão pequenas, e já tão antigas, que entravam numa espécie de estado de decomposição.&lt;br /&gt;Iam perdendo os fragmentos, as palavras se desprendiam, algumas letras caíam...&lt;br /&gt;e quando me dava na telha de remoer minhas mágoas, algumas eu já não conseguia.&lt;br /&gt;No meio da frase agressiva, lá se tinha ido o palavrão. Cadê aquele safanão que eu lembrava ter guardado aqui?&lt;br /&gt;As mágoas sofriam metamorfoses.&lt;br /&gt;Algumas pareciam o bolo que mamãe fazia aos domingos. De uma hora para outra, cresciam de tal maneira, que temia que minha velha caixinha de veludo vermelho arrebentasse, e voasse tristeza para todos os lados.&lt;br /&gt;No entanto, isso nunca aconteceu.&lt;br /&gt;Por mais que as mágoas crescessem, sempre couberam lá dentro.&lt;br /&gt;Pensando agora, deve ser por causa das outras que diminuíam de tamanho... faz sentido.&lt;br /&gt;Mas eu dizia que gostava de desperdiçar amores.&lt;br /&gt;Não é que os desprezasse.&lt;br /&gt;Eu gostava deles. Era realmente duro consegui-los.&lt;br /&gt;Mas a visão dos pedacinhos se espatifando lá embaixo era tão linda... uma chuva de amores perdidos, pra quem tivesse passando na rua...&lt;br /&gt;Quem sabe uma velhinha não tomava para si o amor do fazendeiro?&lt;br /&gt;Além do mais, todos os dias espiava minha caixinha de veludo.&lt;br /&gt;Meu jardim de magoazinhas.&lt;br /&gt;E aquilo era uma beleza de se ver: como se moviam, como mudavam, e viviam por elas mesmas.&lt;br /&gt;Era um mundo à parte, aquela caixinha.&lt;br /&gt;E me fascinava demasiadamente.&lt;br /&gt;Desde então achava os amores chatos...eram bobos, redondos, brilhantes.&lt;br /&gt;Bonito mesmo era vê-los cair.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6337308621087983702-6659997389771594148?l=aventurasdameninama.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://aventurasdameninama.blogspot.com/feeds/6659997389771594148/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6337308621087983702&amp;postID=6659997389771594148' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6337308621087983702/posts/default/6659997389771594148'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6337308621087983702/posts/default/6659997389771594148'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://aventurasdameninama.blogspot.com/2010/02/chuva-no-passeio.html' title='Chuva no passeio'/><author><name>meninama</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05605206690926845475</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-Ei11RhdR6lU/TjVu04jUELI/AAAAAAAAAIM/0EXuGV2swfU/s220/1941pinup_1271.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6337308621087983702.post-3008376269287554079</id><published>2010-01-24T23:44:00.006-02:00</published><updated>2010-01-25T00:02:31.351-02:00</updated><title type='text'>Mais calmo</title><content type='html'>Solidão.&lt;br /&gt;Composto que, como qualquer veneno,&lt;br /&gt;tem propriedades terapêuticas&lt;br /&gt;quando utilizado em quantidades peculiares.&lt;br /&gt;É preciso medi-la, dosar bem suas gotas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu penso que esta ausência é como um guarda - chuva&lt;br /&gt;que a gente não tem coragem de deixar em casa, e acaba carregando sempre para todos os lados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E não temê- la, a esta deliciosa dor, é mais que um alívio,&lt;br /&gt;um descanso,&lt;br /&gt;uma pausa,&lt;br /&gt;quase uma dádiva.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois se este carrasco nos faz provar o pior dos sabores quando nos leva alguém de quem precisávamos&lt;br /&gt;transformando as manhãs em verdadeiras penitências,&lt;br /&gt;também pode acarinhar com as mãos de espinhos,&lt;br /&gt;dar conforto através da dúvida,&lt;br /&gt;interromper a lágrima com um tapa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Solidão também é redenção:&lt;br /&gt;aos poucos lá dentro as palavras ecoam.&lt;br /&gt;A urgência fica pra depois.&lt;br /&gt;E o insuportável vira poesia...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6337308621087983702-3008376269287554079?l=aventurasdameninama.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://aventurasdameninama.blogspot.com/feeds/3008376269287554079/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6337308621087983702&amp;postID=3008376269287554079' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6337308621087983702/posts/default/3008376269287554079'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6337308621087983702/posts/default/3008376269287554079'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://aventurasdameninama.blogspot.com/2010/01/mais-calmo.html' title='Mais calmo'/><author><name>meninama</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05605206690926845475</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-Ei11RhdR6lU/TjVu04jUELI/AAAAAAAAAIM/0EXuGV2swfU/s220/1941pinup_1271.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6337308621087983702.post-4067683636993095488</id><published>2009-12-24T03:43:00.005-02:00</published><updated>2009-12-24T04:11:44.861-02:00</updated><title type='text'>Carta ao meu melhor romance - ou Atemporal.</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_ipGOC5aVfhk/SzMFrWKuIxI/AAAAAAAAAEs/su0bhZ9QWCg/s1600-h/moca-na-janela-dali.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 232px; height: 320px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_ipGOC5aVfhk/SzMFrWKuIxI/AAAAAAAAAEs/su0bhZ9QWCg/s320/moca-na-janela-dali.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5418681018899899154" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Venha logo me buscar, que já estamos atrasados.&lt;br /&gt;O filme que marcamos de assistir no cinema já começou. Será que dá tempo de comprar pipoca?&lt;br /&gt;Quando chegar aqui, dá um toque na buzina, que eu já tô de malas prontas te esperando pra ser feliz.&lt;br /&gt;Vamos logo com estas tralhas: ainda tem namoro pra dar certo, noivado pra esquentar o clima e casamento pra selar nosso amor.&lt;br /&gt;Corre, corre! Não fica aí parado, assistindo futebol... será que não vê que já tá na hora de buscar os filhos na escola?&lt;br /&gt;Árvore de Natal, férias na praia, festa do colégio... e pelo amor de Deus!, conserta esta torneira da pia no fim de semana...&lt;br /&gt;Deixei um bilhete na geladeira que vamos comprar daqui a uns dez anos, avisando que sua comida tá na vasilhinha amarela, atrás da caixa de leite. É só colocar no microondas e esquentar.&lt;br /&gt;Quando tiver indo pro trabalho, me faz um favorzinho: passa na floricultura e compra uma dúzia de rosas. Daquelas de um tom quase lilás. Com as bordas das pétalas de cores mais fortes... Sim, destas que eu gosto.&lt;br /&gt;Traz umas delas pra me dar de presente, bem no dia em que for me encontrar pela primeira vez.&lt;br /&gt;Não esquece de copiar aquele mocinho do filme que assistimos juntos, e eu amei: elogie meu vestido, diga coisas engraçadas, comece um papo sério também, que é pra eu saber que você não é nenhum bobinho...&lt;br /&gt;Depois me olhe com carinho e desejo, e me beije, até me deixar sem ar.&lt;br /&gt;Faça uma piada, me compre um sorvete.&lt;br /&gt;Vai ser no dia em que vou me apaixonar por nossa vida.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6337308621087983702-4067683636993095488?l=aventurasdameninama.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://aventurasdameninama.blogspot.com/feeds/4067683636993095488/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6337308621087983702&amp;postID=4067683636993095488' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6337308621087983702/posts/default/4067683636993095488'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6337308621087983702/posts/default/4067683636993095488'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://aventurasdameninama.blogspot.com/2009/12/carta-ao-meu-melhor-romance-ou.html' title='Carta ao meu melhor romance - ou Atemporal.'/><author><name>meninama</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05605206690926845475</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-Ei11RhdR6lU/TjVu04jUELI/AAAAAAAAAIM/0EXuGV2swfU/s220/1941pinup_1271.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_ipGOC5aVfhk/SzMFrWKuIxI/AAAAAAAAAEs/su0bhZ9QWCg/s72-c/moca-na-janela-dali.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6337308621087983702.post-9214843175655463601</id><published>2009-12-23T04:29:00.002-02:00</published><updated>2009-12-23T04:53:16.343-02:00</updated><title type='text'>Perdão agradecido</title><content type='html'>Foi assim que eu perdoei o mundo: num dia banal, depois de ver televisão. Tinha comido um doce gostoso, que ainda estava na minha cabeça quando eu fui trocar de roupa.&lt;br /&gt;Será que tinha tantas calorias assim? - perguntei ao espelho.&lt;br /&gt;Não, não tinha.&lt;br /&gt;Achei que o doce, com toda sua carga de gordura e celulite, tinha valido a pena.&lt;br /&gt;Foi gostoso, e ainda por cima eu tava num papo tão bom com aquela amiga...&lt;br /&gt;Foi então que aconteceu. Enquanto eu não me decidia entre assistir o final do seriado americano e ler mais um conto do livro de cabeceira, lembrei-me dos meus amigos.&lt;br /&gt;Um a um, fui passando por todos eles.&lt;br /&gt;Os rostos, os sorrisos, as maneiras de falar... fui me lembrando de festas alegres, de conversas tão bobas que cheguei mesmo a rir com ligeiro constrangimento. Como uma mãe condescendente que acoberta as trapalhadas do filho, deliciei-me com os encontros mais tolos que tive com meus melhores amigos. Papos engraçados, muitas vezes dedicados a caçoar algo ou alguém que conhecíamos.&lt;br /&gt;Quando meu irmão entrou na sala, me olhou com ar surpreso, e disse com voz de chacota:&lt;br /&gt;- Que cara de boba é esta? Você não pode estar rindo deste programa idiota...&lt;br /&gt;Não, não estava. Sorria, mas não era para a T.V.&lt;br /&gt;Era pra mim. Era pra eles.&lt;br /&gt;Meus amigos. Os que eu gostava.&lt;br /&gt;E foi bacana, porque tive logo a confirmação: eles me amavam também. Prova disso eram as tantas discussões que tinham acontecido. Os olhares atravessados. As caras fechadas depois daquela festa em que todo mundo se estranhou. As lágrimas, a raiva, os tantos 'não quero mais falar com você'. E acima de tudo, a cumplicidade. O encontro.&lt;br /&gt;Separamo-nos. Cada qual para seu lado. Sua vida, seus amores.&lt;br /&gt;Mas naquele dia eu soube, eu descobri. (Ou apenas lembrei?) Que a vida era monótona, amarga, pesada como chumbo nos meus ombros de velha aos vinte anos.&lt;br /&gt;Mas eu a perdoava. De coração aberto, eu esquecia o que ela tinha me feito. As desfeitas, as paixões fracassadas, os quilos engordados, as derrotas mais doídas, o medo, a insegurança...&lt;br /&gt;Perdoei, como quem faz uma oração, daquelas que a gente inventa na hora.&lt;br /&gt;Disse baixinho um &lt;em&gt;"agradeço por me sentir amada. Por saber que existem testemunhas para esta que sou eu."&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;E foi sutilmente reconfortante. Beijei a todos imaginariamente...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6337308621087983702-9214843175655463601?l=aventurasdameninama.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://aventurasdameninama.blogspot.com/feeds/9214843175655463601/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6337308621087983702&amp;postID=9214843175655463601' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6337308621087983702/posts/default/9214843175655463601'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6337308621087983702/posts/default/9214843175655463601'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://aventurasdameninama.blogspot.com/2009/12/perdao-agradecido.html' title='Perdão agradecido'/><author><name>meninama</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05605206690926845475</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-Ei11RhdR6lU/TjVu04jUELI/AAAAAAAAAIM/0EXuGV2swfU/s220/1941pinup_1271.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6337308621087983702.post-3810567031299655149</id><published>2009-12-22T01:51:00.006-02:00</published><updated>2009-12-22T22:40:54.804-02:00</updated><title type='text'>O egoísmo nosso de cada dia...</title><content type='html'>A quem tentamos enganar comprando presentes nas eminências natalinas?&lt;br /&gt;Que bondade é esta?&lt;br /&gt;De onde vem tanta generosidade?&lt;br /&gt;Eu penso assim: que se Deus existisse mesmo, e se o Natal simbolizasse esta existência grandiosa, que tudo sabe, tudo vê, creio que ele iria preferir que fôssemos autênticos.&lt;br /&gt;Sejamos honestos. Não com os outros, que isso é escolha muito pessoal.&lt;br /&gt;Mas que cada um honre a si mesmo admitindo aquilo que tem por dentro.&lt;br /&gt;Neste ano não quero presentear ninguém. Não quer dizer que não gosto das pessoas que me cercam, ou que não lhes dou valor. Nada disso. Simplesmente não quero presentear ninguém. Exceto a mim mesma.&lt;br /&gt;Acho que mereço.&lt;br /&gt;Por isso comprei hoje um livro e me dei de presente. Fiz dedicatória, coloquei data, e me entreguei, saboreando as palavras com voracidade, admirando meu auto- carinho.&lt;br /&gt;Que Jesus abençoe meu egoísmo.&lt;br /&gt;Tenho pra mim que ele faz bem. Talvez muito mais do que se eu saísse por aí a distribuir lembrancinhas regadas com inveja, raiva e futilidade, como tantas vezes assistimos...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6337308621087983702-3810567031299655149?l=aventurasdameninama.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://aventurasdameninama.blogspot.com/feeds/3810567031299655149/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6337308621087983702&amp;postID=3810567031299655149' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6337308621087983702/posts/default/3810567031299655149'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6337308621087983702/posts/default/3810567031299655149'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://aventurasdameninama.blogspot.com/2009/12/o-egoismo-nosso-de-cada-dia-nos-dai.html' title='O egoísmo nosso de cada dia...'/><author><name>meninama</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05605206690926845475</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-Ei11RhdR6lU/TjVu04jUELI/AAAAAAAAAIM/0EXuGV2swfU/s220/1941pinup_1271.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6337308621087983702.post-8704189855606083277</id><published>2009-12-08T01:19:00.005-02:00</published><updated>2009-12-17T23:56:23.739-02:00</updated><title type='text'>Eu conto</title><content type='html'>Chegou e foi direto conferir a tela do computador. &lt;div&gt;Há muito tempo era assim: parecia que uma voz dentro da cabeça dela ia narrando os próximos textos que escreveria. Via um velho escarrando no passeio, e já imaginava um título nonsense para suas postagens. Um menino mal criado fazendo manha no supermercado, e lá vinha aquela voz construindo frases que ela tentava não escutar.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Na fila do cinema às vezes deixava escapar umas palavras enquanto maquinava o novo ensaio sobre a desconfiança feminina. &lt;i&gt;Ela procurava, aflita, vestígios da masculinidade dele, da qual sempre duvidara. Quem sabe uma prova de infidelidade não seria , no fundo, um alento?&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- O que disse, Senhora?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Hã?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Não entendi o que a Senhora disse. Qual filme deseja assistir?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Não, nada... só estava pensando... Me vê aí uma pra 'Abraços Partidos'.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Inteira ou meia?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Meia - entrada, por favor.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Era preciso tomar cuidado. Tinha que entender que nem sempre podia deixar as palavras saltarem de sua boca daquele jeito, como se estivesse no divã de seu analista.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;As pessoas podiam se magoar com aquilo. E se magoavam.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Vez ou outra, durante uma conversa com um rapaz que tentava inutilmente conquistar seu respeito e sua admiração, ela imaginava um título pomposo para seu mais novo conto. Já conseguia rir das piadas que contaria, das falas patéticas que atribuiria ao personagem principal, levemente inspirado na nobre companhia que a entretinha naquele momento.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Ria, e isso lhe causava transtornos, porque nem sempre a risada vinha numa hora conveniente. Já aconteceu dela rir enquanto um rapaz contava de seu ritual na academia, de como se alimentava de forma saudável para ganhar mais cinco quilos de massa muscular. Foi nesta parte que ela imaginou o nick dele no msn, e quis tanto escrever isso no texto. "TÔ MALHANDO! INGRESSOS PRA CREAMFIELDS COMIGO. É NÓISSSSSSS".&lt;/div&gt;&lt;div&gt;E foi hilário quando ela olhou para ele, olhou bem, prestando bastante atenção, e reparou que ele tinha uma tatuagem de dragão no ombro. Na verdade era só o rabo. O dragão começava nas costas. Chinês, ele dizia. Ela riu. Uma risada gostosa, solta, que ela não podia e nem queria conter.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Ora, se o melhor daquela conversa, daquela cena toda, era o texto que ela já tinha escrito na cabeça.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;É verdade que ela terminava as noites sozinha.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Você é esperta demais, gata. Deste jeito, vai acabar sobrando. - falou um grandalhão que ela conheceu no carnaval, na maior cara dura, como se aquilo não ferisse.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Neste dia ela percebeu que alguns homens também escreviam contos de cabeça, enquanto conversavam com ela... Foi para casa, e chorou.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Não tanto pela crítica velada sobre sua arrogância, mas sim pelo tiro certeiro que aquele palhaço, de braços malhados e cabeça oca, tinha dado em seu coração: o que ela tinha era medo.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Medo de ficar sozinha.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;De ter que escrever contos todas as noites, de imaginar frases de twitter que soassem sarcásticas o suficiente para ofender, de sentir nojo, desprezo, e desânimo muito mais do que amor, carinho e paixão.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;De, como uma Scheherazade solteira, ter que inventar histórias para fazer dormir a desilusão que havia em si mesma, embalar sua solidão com palavras...&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Ela tentava. Fazia de tudo para não ouvir os parágrafos que se formavam rapidamente, quando percebia como os casais, com o passar do tempo, iam se revestindo de uma fina camada de indiferença, que acabava por separá-los completamente, fazendo com que sobrassem entre eles apenas os insultos mais baixos . Tentava se esquivar das premissas duras, implacáveis, que assaltavam seus pensamentos.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;No entanto, era em vão. Todo esforço, todo cuidado. Em vão.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Ela escrevia. Sem lápis, papel, caneta, teclado ou computador.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Ela escrevia.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;E às vezes acontecia até de um texto vir com tanta força, que ela dormia, procurava se distrair, mas quando dava por si, o tinha decorado, ele estava lá.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Depois de algum tempo, então, se rendeu. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Pois se queres vir, que venha!&lt;/div&gt;&lt;div&gt;E desde então, era assim.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Ela fazia o que tinha de fazer. Trabalhava, estudava, lia, ia ao cinema...e quando chegava em casa, como que por comodismo, ligava logo seu notebook.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Checava os emails. Respondia alguns. E depois escrevia.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Porque essa voz dentro dela era muito insistente.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;E aturá-la sozinha seria doloroso demais.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;i&gt;&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6337308621087983702-8704189855606083277?l=aventurasdameninama.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://aventurasdameninama.blogspot.com/feeds/8704189855606083277/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6337308621087983702&amp;postID=8704189855606083277' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6337308621087983702/posts/default/8704189855606083277'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6337308621087983702/posts/default/8704189855606083277'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://aventurasdameninama.blogspot.com/2009/12/eu-conto.html' title='Eu conto'/><author><name>meninama</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05605206690926845475</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-Ei11RhdR6lU/TjVu04jUELI/AAAAAAAAAIM/0EXuGV2swfU/s220/1941pinup_1271.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6337308621087983702.post-9095391672664656122</id><published>2009-12-05T01:54:00.005-02:00</published><updated>2009-12-05T02:17:58.351-02:00</updated><title type='text'>Incógnita</title><content type='html'>Homem é bicho bobo.&lt;br /&gt;Diz que não ama, mas sente saudades.&lt;br /&gt;Diz que não pensa nela, mas quer saber se ela pensa nele.&lt;br /&gt;Diz que prefere a solidão e o futebol, mas gosta quando ela chega e guarda as roupas no armário.&lt;br /&gt;E eu me pergunto: por quê?&lt;br /&gt;Homem é bicho esquisito.&lt;br /&gt;Sorri meio de lado, como se quisesse esconder a alegria.&lt;br /&gt;Nega que chorou naquele filme que ela insistiu pra ver com ele.&lt;br /&gt;Finge não perceber quando ela corta o cabelo.&lt;br /&gt;E eu me pergunto: por quê?&lt;br /&gt;Homem é bicho acuado.&lt;br /&gt;Vai embora antes de ser ferido.&lt;br /&gt;Morde pra se defender.&lt;br /&gt;E eu me pergunto: por quê?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6337308621087983702-9095391672664656122?l=aventurasdameninama.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://aventurasdameninama.blogspot.com/feeds/9095391672664656122/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6337308621087983702&amp;postID=9095391672664656122' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6337308621087983702/posts/default/9095391672664656122'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6337308621087983702/posts/default/9095391672664656122'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://aventurasdameninama.blogspot.com/2009/12/incognita.html' title='Incógnita'/><author><name>meninama</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05605206690926845475</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-Ei11RhdR6lU/TjVu04jUELI/AAAAAAAAAIM/0EXuGV2swfU/s220/1941pinup_1271.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6337308621087983702.post-3228005858022441783</id><published>2009-11-24T14:12:00.006-02:00</published><updated>2009-11-24T15:48:34.279-02:00</updated><title type='text'>Bravo! Aplausos para o show do "Amor líquido"</title><content type='html'>Atualmente não é raro ouvir, seja numa conversa de bar, ou durante uma briga inflamada com o parceiro amoroso, que desde o início de um relacionamento, sempre esteve claro que este era um tanto quanto "descompromissado".&lt;br /&gt;Ficar junto, aproveitar o momento, não se prender a rótulos, viver um dia após o outro, ter liberdade, e outros termos como estes são chavões clássicos de muitos jovens que estão por aí procurando conhecer o que o mundo tem a lhes oferecer de bom.&lt;br /&gt;É interessante, e até um pouco cômico, pensar como estas pessoas concebem a possibilidade de um tipo de relacionamento no qual o ciúme, a posse, o desejo e a insegurança não estejam envolvidos.&lt;br /&gt;Não sei se fico sensibilizada pela ingenuidade e esperança destas pessoas, que buscam com isso safar-se da angústia de depender de um outro. Ou ainda se me deixo enfurecer pela idiotice das propostas travestidas de modernismo que constantemente nos são feitas pela vida afora...&lt;br /&gt;Fico pensando, cá com meus botões, se não seria melhor voltarmos a viver no preconceituoso e recatado mundo dos anos dourados, quando os homens ainda precisavam fingir que queriam um laço duradouro para convencer uma moça a ter relações sexuais com eles. E as moças, por sua vez, podiam se proteger no engodo de que aquela não seria apenas uma noite de sexo, e sim o começo de uma longa vida a dois...&lt;br /&gt;Doce segurança forjada. Os casamentos patéticos que se formavam em torno deste moralismo denunciavam a precariedade de tais imposições ao desejo.&lt;br /&gt;Pergunto-me, entretanto, se atualmente vivemos situação melhor...&lt;br /&gt;Facilmente as pessoas diriam que hoje existe mais liberdade. Que é possível assumir os próprios desejos, e até mesmo vivenciá-los.&lt;br /&gt;Será mesmo?&lt;br /&gt;Penso nos "rituais" de pertencimento aos grupos de adolescentes: sair com os amigos/as, provar a sexualidade e a independência distribuindo beijos, carícias e noites de sexo com várias pessoas, sem, no entanto, estabelecer laços com nenhuma delas.&lt;br /&gt;Atenção: é a esta última parte do "mandamento" teen que atribuo a escrita deste texto. Não vejo tantos problemas em estabelecer relações amorosas com maior frequência, e até com parceiros simultâneos. Acho até charmoso, meio hiponga, isto de amar em cooperativa... Risos.&lt;br /&gt;O que me parece mais grave é a castração "não se apaixone!", implícita no comportamento de quem se deixa levar pela onda do tribalismo "&lt;em&gt;eu sou de ninguém/ eu sou de todo mundo/e todo mundo é meu também&lt;/em&gt;". A vida profissional, as dificuldades financeiras, a vontade de realizar alguns de nossos sonhos, tudo isso se transforma em justificativa quando nos questionamos sobre estabelecermos um vínculo explícito com alguém de quem gostamos.&lt;br /&gt;Diante de tantas dificuldades para empreender um amor, melhor mesmo deixar isto para mais tarde. Viver de "amor líquido", beber gota por gota nos encontros fortúitos das baladas.&lt;br /&gt;O sociólogo Zigmunt Bauman utiliza a metáfora do líquido para falar da fragilidade dos laços amororos na sociedade em que vivemos. Rápidos, os relacionamentos adquiriram a fluidez de uma coca-zero, pulando de objeto em objeto,de mão em mão, sem fornecer nutriente algum.&lt;br /&gt;Em contraste com a busca cada vez mais exigente de satisfação plena, as relações se mostram ocas, estéreis desde as primeiras conversas nas quais os dois envolvidos prometem, numa simulação de honestidade prévia,  não se cobrarem nada além do prazer de passarem juntos alguns momentos.&lt;br /&gt;O "amor líquido", que Bauman descreve brilhantemente, serve muitas vezes como uma prevenção a qualquer decepção, frustração ou insatisfação decorrente de um enamoramento.&lt;br /&gt;Se apaixonar-se compreende certo esforço em satisfazer o parceiro, e, ao mesmo tempo, colocar-se sob o jugo deste, o modo globalizado de relacionamento vem a calhar.&lt;br /&gt;"Não, não é que eu seja imcopetente, é que já não era para durar. Desde o início já sabíamos que seria assim..."&lt;br /&gt;O fracasso amoroso não é culpa de ninguém. Foi planejado, como os outros que vão advir depois dele. As ligações com o parceiro não são cortadas, interrompidas. São desconectadas. Nem exigem mais um término formal. Algumas pessoas simplesmente "desaparecem", como quem se desmaterializou curiosamente... Já não esperamos uma conversa final, regada a lágrimas. Chega-se até a considerar se todos os exs vão parar na ilha de Lost...&lt;br /&gt;No fim, há um telefonema não atendido.&lt;br /&gt;Uma mensagem extraviada. Um email sem retorno.&lt;br /&gt;Pronto: sabe-se que chegou a hora. É ele, amor líquido, agindo magistralmente para colmatar as falhas.&lt;br /&gt;Deste modo, encerra-se a peça. Fecham as cortinas. Saem os atores bem seguros de si. Certos de não terem errado uma fala do espetáculo, de terem seguido o roteiro.&lt;br /&gt;E com uma estranha sensação de que não há platéia alguma.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6337308621087983702-3228005858022441783?l=aventurasdameninama.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://aventurasdameninama.blogspot.com/feeds/3228005858022441783/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6337308621087983702&amp;postID=3228005858022441783' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6337308621087983702/posts/default/3228005858022441783'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6337308621087983702/posts/default/3228005858022441783'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://aventurasdameninama.blogspot.com/2009/11/bravo-aplausos-para-o-show-do-amor.html' title='Bravo! Aplausos para o show do &quot;Amor líquido&quot;'/><author><name>meninama</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05605206690926845475</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-Ei11RhdR6lU/TjVu04jUELI/AAAAAAAAAIM/0EXuGV2swfU/s220/1941pinup_1271.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6337308621087983702.post-1618451796495912810</id><published>2009-11-19T12:29:00.006-02:00</published><updated>2009-11-25T23:05:38.657-02:00</updated><title type='text'>Disfarce</title><content type='html'>Era verão, e tanta coisa por fazer, que ele achou melhor não fazer nada.&lt;br /&gt;Uma preguiça aceitável tomava conta de sua casa naqueles dias quentes e secos...e tambem nos dias chuvosos. Pensando bem, a preguiça não podia ser associada a alguma especificidade do tempo.&lt;br /&gt;Era uma preguiça de coisas sérias. Preguiça das grandes decisões, grandes idéias.&lt;br /&gt;Não queria tomar posição alguma, escolher entre qualquer coisa. Ia deixando a vida seguir seu rumo próprio, e assistia a tudo com cara de quem bebe uma cerveja para esquecer de se preocupar.&lt;br /&gt;Andava de bicicleta, assitia aos jogos de seu time favorito.&lt;br /&gt;Vez ou outra saía com amigos. Programas repetitivos, que de tão monótonos demandavam uma sentença: ou mudança de roteiro, ou abandono de tais práticas enfadonhas.&lt;br /&gt;No entanto, ele prosseguia firme. Não queria mudar os planos de não mudar, absolutamente, os seus planos.&lt;br /&gt;Então seguia. Mesma rotina. Mesma bicicleta. Time perdendo, boteco com amigos. Time ganhando, boteco com amigos e algumas mulheres.&lt;br /&gt;Sim, porque ele era um homem comum. Não era este o plano? E todo homem comum que se preze, tem sempre um caso (ou vários) em suspenso. Uma publicitária que conheceu na balada do último sábado. Uma enfermeira que era prima de seu melhor amigo. Elas ligavam, ele as encontrava. Beijavam-se, conversavam, vez ou outra faziam sexo.&lt;br /&gt;Ele também as procurava. Mais para manter uma cadência de previsibilidade do que por desejo ou amor.&lt;br /&gt;E quem o encontrava na rua, no caminho para o sagrado jogo de cartas com os amigos, achava-o contagiante. Tranquilo, livre, feliz...&lt;br /&gt;Ele acenava afirmativamente com a cabeça quando o perguntavam: "Como é que vão as coisas? Bem?".&lt;br /&gt;Bem. As coisas tinham que ir bem. Sem maiores sobressaltos.&lt;br /&gt;O que não entendia, e o tirava um pouco de sua paz estilizada, era que costumava ter aqueles sonhos. Sonhos horríveis, assustadores, tão estranhos que não conseguia se lembrar direito o que representavam.&lt;br /&gt;Certas noites acordava assustado: coração disparado, suor, mãos frias.&lt;br /&gt;Uma vez, acordou de súbito, muito alarmado, no meio da madrugada.&lt;br /&gt;Sem entender direito o que se passava, lembrou-se apenas da última imagem que lhe era nítida: uma mulher o olhava obstinadamente.&lt;br /&gt;Dura, inflexível, instigante, ela o olhava, como quem podia ver por dentro, e ainda mais fundo.&lt;br /&gt;Sem vacilar, ela dissecava seu corpo, suas palavras , seus pensamentos. Sabia tudo, e era tão inútil tentar esconder, que a ele só parecia restar a resignação humilhante de se mostrar tão ínfimo...&lt;br /&gt;Ela o fitava, durante alguns minutos, e depois sorria, com a maldade refinada que só concerne às mulheres, dizendo uma palavra que o assombraria por muitas noites: DISFARCE.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6337308621087983702-1618451796495912810?l=aventurasdameninama.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://aventurasdameninama.blogspot.com/feeds/1618451796495912810/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6337308621087983702&amp;postID=1618451796495912810' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6337308621087983702/posts/default/1618451796495912810'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6337308621087983702/posts/default/1618451796495912810'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://aventurasdameninama.blogspot.com/2009/11/disfarce.html' title='Disfarce'/><author><name>meninama</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05605206690926845475</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-Ei11RhdR6lU/TjVu04jUELI/AAAAAAAAAIM/0EXuGV2swfU/s220/1941pinup_1271.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6337308621087983702.post-4032981272855446204</id><published>2009-10-18T01:54:00.004-02:00</published><updated>2009-10-18T18:43:05.109-02:00</updated><title type='text'>A confusão na minha cabeça</title><content type='html'>No dia seguinte eu teria uma prova importante. Decisiva, eu diria. Um exame que poderia determinar os próximos rumos de minha &lt;span id="SPELLING_ERROR_0" class="blsp-spelling-error"&gt;trajetória&lt;/span&gt; &lt;span id="SPELLING_ERROR_1" class="blsp-spelling-error"&gt;profissional&lt;/span&gt;.&lt;br /&gt;No entanto, não estudava.&lt;br /&gt;Tudo bem, serei honesta em afirmar que aquele era apenas o primeiro teste, uma prova de língua francesa que, pelo que tudo indicava, seria relativamente fácil. Mas mesmo assim... faltava uma revisão. Uma leitura cuidadosa de textos científicos "&lt;span id="SPELLING_ERROR_2" class="blsp-spelling-error"&gt;en&lt;/span&gt; &lt;span id="SPELLING_ERROR_3" class="blsp-spelling-error"&gt;français&lt;/span&gt;", uma olhada geral na gramática, "&lt;span id="SPELLING_ERROR_4" class="blsp-spelling-error"&gt;un&lt;/span&gt; &lt;span id="SPELLING_ERROR_5" class="blsp-spelling-error"&gt;coup&lt;/span&gt; d'&lt;span id="SPELLING_ERROR_6" class="blsp-spelling-error"&gt;oeil&lt;/span&gt;" nas conjugações... nada! Enrolei, deixando - como sempre - para estudar na última hora, com a desculpa de "estar ocupada demais com meu &lt;span id="SPELLING_ERROR_7" class="blsp-spelling-error"&gt;projeto&lt;/span&gt; de mestrado". A última hora chegou, e eu não fiz mais do que ler alguns trechos de textos fáceis do meu antigo livro do curso de &lt;span id="SPELLING_ERROR_8" class="blsp-spelling-corrected"&gt;francês&lt;/span&gt;...&lt;br /&gt;Que decepção! Que desânimo...&lt;br /&gt;Continuava ali, parada, a fitar meu livro de francês, como se esperasse dele um sinal, um grito, um passar de páginas que me revelasse assim de bandeja o que eu precisaria saber na prova do dia seguinte.&lt;br /&gt;Nada. Ele não me dizia absolutamente nada. Não me respondia... E eu, perguntava???&lt;br /&gt;"Você sabe o que é ter a cabeça vazia?" - me disse outro dia uma colega que iria se casar. Preocupada demais com a &lt;span id="SPELLING_ERROR_9" class="blsp-spelling-error"&gt;cerimônia&lt;/span&gt;, ela quase não podia pensar em nada. Bolo, vestido, viagem, marido. Dava pena que só vendo.&lt;br /&gt;Minhas questões eram mais "feijão - com - arroz" : "Qual é o meu lugar?" "Pertenço a esta gente?" "Afinal, o que eu sou??". Assim não dá. "Você sabe o que é ter a cabeça cheia?" - pergunto em silêncio numa conversa imaginária com a colega - noiva. Pensava em casa, mas não era a minha. Família, mas qual? Lar, &lt;span id="SPELLING_ERROR_10" class="blsp-spelling-error"&gt;pertencimento&lt;/span&gt;, mas era um vazio danado... Era o Natal e seus presentes, os sinos já martelando na minha cabeça... "E quem não tem família, onde passa o Natal?" Mas nós ainda estávamos em &lt;span id="SPELLING_ERROR_11" class="blsp-spelling-corrected"&gt;Outubro&lt;/span&gt;...&lt;br /&gt;Não, assim não dá. Não há francês que chegue, não há palavra que ordene, que organize essa &lt;span id="SPELLING_ERROR_12" class="blsp-spelling-error"&gt;bagunça&lt;/span&gt; toda. A confusão na minha cabeça.&lt;br /&gt;"Você sabe o que é ter a cabeça confusa?" - continuo meu papo &lt;span id="SPELLING_ERROR_13" class="blsp-spelling-error"&gt;platônico&lt;/span&gt; com a noiva. "Assim, como se um ladrão, aproveitando a ausência da família no feriado de fim de ano, entrasse na casa e roubasse as cerejas do bolo. Não, nada de levar as jóias da mãe, ou o vídeo - game caro das crianças, a T.V. de plasma do pai... o ladrão deixou tudo lá. No entanto, só por prazer, foi entrando em cada &lt;span id="SPELLING_ERROR_14" class="blsp-spelling-error"&gt;cômodo&lt;/span&gt; e jogando todos os &lt;span id="SPELLING_ERROR_15" class="blsp-spelling-error"&gt;objetos&lt;/span&gt; no chão: roupas, livros, sapatos, papéis, toalhas... esvaziando os vidros de perfume, sujando as paredes com &lt;span id="SPELLING_ERROR_16" class="blsp-spelling-error"&gt;chantily&lt;/span&gt;... E antes de sair, como troféu, ele leva um pote, bem pequeno, com as cerejas que a mãe usaria para enfeitar a sobremesa do dia seguinte. Você sabe o que é isso?"&lt;br /&gt;O livro de francês, agora fatigado, depois de tentar em vão me convencer a estudar pelo menos o "&lt;span id="SPELLING_ERROR_17" class="blsp-spelling-error"&gt;subjonctif&lt;/span&gt;", faz cara de quem não entende, e pergunta, em coro com a noiva: "Mas para quê se aborrecer tanto por causa de cerejas?"&lt;br /&gt;Eu é que me aborreço com tal pergunta. Ora, mas são dois tolos estes &lt;span id="SPELLING_ERROR_18" class="blsp-spelling-error"&gt;interlocutores&lt;/span&gt;. Será que não entendem o que digo?&lt;br /&gt;"Cerejas não são coisinhas &lt;span id="SPELLING_ERROR_19" class="blsp-spelling-error"&gt;insignificantes&lt;/span&gt;. Uma cereja pode mudar o gosto do dia. Além do mais, lembrem-se que o ladrão já tinha feito toda aquela &lt;span id="SPELLING_ERROR_20" class="blsp-spelling-error"&gt;bagunça&lt;/span&gt; na casa. E só para ser sádico, retirou da mulher a possibilidade de fingir que nada se passou. Pois agora não tinha mais jeito: sem cerejas era preciso enfrentar o que aconteceu... E o que aconteceu foi a desordem daquela gente. Quando tiram as nossas coisas assim, misturando tudo, tudo exposto ali, no chão, para que os outros vejam, dá uma confusão danada. Recordamos de coisas que estavam enterradas. Antigas cartas de amor aparecem. Vestidos velhos que nos lembram épocas distantes, brinquedos que nem mais lembrávamos ter, livros que foram dados de presente por pessoas agora falecidas...&lt;br /&gt;O trabalho que dá para pôr em ordem não se deve apenas ao sacrifício de tudo encaixotar, limpar o chão e as paredes. Uma casa revirada é dolorido demais. Existem pertences que nunca devem ser remexidos..."&lt;br /&gt;A noiva me olha pensativa, e murmura algo sobre pedir ao marido um &lt;span id="SPELLING_ERROR_21" class="blsp-spelling-error"&gt;gaveteiro&lt;/span&gt; com chaves e cadeado.&lt;br /&gt;O livro, sábio como de costume, tendo compreendido o que ouviu, e nada mais desejando acrescentar, passa três páginas e me deixa ler: "&lt;span id="SPELLING_ERROR_22" class="blsp-spelling-error"&gt;Le&lt;/span&gt; &lt;span id="SPELLING_ERROR_23" class="blsp-spelling-error"&gt;passé&lt;/span&gt; &lt;span id="SPELLING_ERROR_24" class="blsp-spelling-error"&gt;composé&lt;/span&gt;".&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6337308621087983702-4032981272855446204?l=aventurasdameninama.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://aventurasdameninama.blogspot.com/feeds/4032981272855446204/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6337308621087983702&amp;postID=4032981272855446204' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6337308621087983702/posts/default/4032981272855446204'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6337308621087983702/posts/default/4032981272855446204'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://aventurasdameninama.blogspot.com/2009/10/confusao-na-minha-cabeca.html' title='A confusão na minha cabeça'/><author><name>meninama</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05605206690926845475</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-Ei11RhdR6lU/TjVu04jUELI/AAAAAAAAAIM/0EXuGV2swfU/s220/1941pinup_1271.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6337308621087983702.post-2511526007237506512</id><published>2009-07-27T10:46:00.003-03:00</published><updated>2009-07-29T09:15:44.370-03:00</updated><title type='text'>Estariam os homens emburrecendo?</title><content type='html'>Analisando os dados de uma empresa privada que oferece um prêmio anual aos melhores estudantes dependentes de seus funcionários, pode-se observar (mesmo sem ser Ph.D em estatística) que o número de mulheres premiadas é quase três vezes maior que o de homens.&lt;br /&gt;Esta empresa é a Fiat Automóveis, e o prêmio em questão é uma iniciativa que visa contemplar jovens que obtêm bons rendimentos durante a vida escolar.&lt;br /&gt;Uma pesquisa, digamos, mais qualitativa, revela que professores universitários observam que as alunas geralmente se mostram mais interessadas e implicadas em suas atividades acadêmicas do que os colegas do sexo masculino.&lt;br /&gt;Os leitores podem se dar ao direito de refutar a validade de tal pesquisa, e têm toda razão. A amostra de tal "estudo" consta de 1 professor, que por acaso é uma pessoa bastante próxima a mim. Porém, por outro lado, poderia argumentar que em 100% dos casos aos quais tive acesso o sexo feminino é mais bem cotado no quesito intelectual...&lt;br /&gt;Brincadeiras à parte, me chamou muita atenção a disparidade das premiações da tal empresa.&lt;br /&gt;E não era coisa de um ano ou dois: a maioria esmagadora de mulheres abocanhando o dindin que a montadora distribui aos pequenos notáveis é uma constante há pelo menos oito anos.&lt;br /&gt;Pensei se não seria o caso de levar em conta os comentários que tantas vezes ouvi deste professor que amaldiçoava a inércia dos meninos para os quais lecionava.&lt;br /&gt;E me lembrei ainda, com um sorriso nos lábios, de uma pesquisa publicada há alguns anos, quando estava na metade do meu curso de psicologia, e que causou grande polêmica. Tal estudo (obviamente americano) afirmava que as mulheres têm um déficit de Q.I. em relação aos homens.&lt;br /&gt;Longe de corroborar tal premissa, os professores que nos ensinavam TEP( as chamadas Técnicas de Exame Psicológico, vulgo Testes - aqueles que a gente faz tanto no Detran quanto nas revistas Marie Claire. Brincadeira.. isso foi veneno meu. Rs.)apontaram as falhas metodológicas da pesquisa me questão,e nós - meninas da turma- concluímos felizes que os homens eram uns recalcados invejosos que jogavam baixo para justificarem seus comportamentos inaceitáveis. Isso não ocorreu, porém, sem que os nossos colegas aproveitassem para fazer uma ou outra piadinha machista, ou ainda iniciar discussões bobas na cantina. Infelizmente não posso citar corretamente as fontes da pesquisa porque na época ela não me interessou absolutamente, assim como todo o conteúdo das disciplinas de mensuração do psiquismo em escalas quantitativas... mas se alguém que está lendo se interessar por isso, procure no Google, que é mais esperto que Deus, e certamente irá matar sua curiosidade.&lt;br /&gt;Não pretendo escrever aqui um manifesto feminista, nem dar início a uma conversa sobre preconceito e relações de gênero. Acho isso chato, muito chato.&lt;br /&gt;Mas não deixo de registrar minha surpresa - ou não, o que é ainda mais desanimador- com um fato que tem ficado cada vez mais perceptível aos meus olhos: os homens estão ficando bobos, ou nós mulheres somos exigentes demais? &lt;br /&gt;Seria uma manifestação histérica, esta de nunca estar satisfeita com o que se tem, ou realmente temos tido péssimas opções???&lt;br /&gt;Qual será a verdade? Provavelmente nunca saberemos... Pois não acredito que exista algo exato, uma verdade pura, bruta, a ser encontrada.&lt;br /&gt;Existem interpretações, versões, visões...&lt;br /&gt;No entanto fico pensando se os rapazes vão ter a sagacidade de inventar um outro lado pra esta história toda...&lt;br /&gt;Eu espero que sim...Meninos, não nos desapontem!!!!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6337308621087983702-2511526007237506512?l=aventurasdameninama.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://aventurasdameninama.blogspot.com/feeds/2511526007237506512/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6337308621087983702&amp;postID=2511526007237506512' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6337308621087983702/posts/default/2511526007237506512'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6337308621087983702/posts/default/2511526007237506512'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://aventurasdameninama.blogspot.com/2009/07/estariam-os-homens-emburrecendo.html' title='Estariam os homens emburrecendo?'/><author><name>meninama</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05605206690926845475</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-Ei11RhdR6lU/TjVu04jUELI/AAAAAAAAAIM/0EXuGV2swfU/s220/1941pinup_1271.jpg'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6337308621087983702.post-1062780128603008303</id><published>2009-06-18T23:59:00.002-03:00</published><updated>2009-06-19T00:43:30.286-03:00</updated><title type='text'>A pobreza de Narciso</title><content type='html'>Curvado diante de uma fonte Narciso observa impassível sua imagem refletida na água. De acordo com a lenda conhecida, tal experiência é de tamanha intensidade que o leva à morte.&lt;br /&gt;Acobertado por sua parafernália masculina aquele homem tem passado os últimos dias esnobando sua parceira. Ele ignora seus ataques de ciúme, vai pra cama mais cedo quando ela decide falar de suas inseguranças, e sustenta  debilmente um olhar travestido de desejo para outras mulheres que o cercam.&lt;br /&gt;Este personagem nunca disse para a mulher que a amava, nem mesmo na noite em que ela, de forma patética, balbuciou um "eu te adoro tanto..." enquanto ele fingia dormir. Ele, aconselhado pelos amigos, foge das cobranças femininas como o diabo da cruz, alegando, com um ar blasé "não querer dar satisfações a ninguém".&lt;br /&gt;É verdade que ele a trata com respeito, e até certo cuidado. Mas rechaça qualquer vestígio de contaminação amorosa. Se diz livre, sedento por conhecer muitas outras pessoas. No entanto priva-se de conhecer aquela mulher que vive bem ali, na sua frente. Ele esquece os casos de família mais engraçados que ela já contou, não se lembra de seus gostos e preferências na hora de escolher um presente. É, enfim, um "distraído".&lt;br /&gt;Distraído que teme se ver vítima de traição. Sonda, procura, olhando de soslaio, sintomas de infidelidade nos pertences da parceira. Age como um detetive trabalhando à paisana: não pode se deixar flagrar.&lt;br /&gt;Raramente nota-se nele o menor sinal de vacilação. Quase imperceptível. Uma tensão discreta que se anuncia palidamente nos gestos, olhares, na voz quando sente que ela poderia ir e não mais voltar.&lt;br /&gt;Aterrorizado diante do perigo de ser devorado, consumido, submisso às agruras amorosas, ele se encarcera na posição de homem independente, imune aos efeitos da paixão.&lt;br /&gt;A pobreza de nosso Narciso às avessas é a cegueira de se deixar acorrentar na engrenagem que movimenta sua personalidade forjada. Tentando escapar do pavor do abandono, da dependência do outro, da dor da falta, o personagem cede à estereotipia da negação. Veste a si mesmo com uma máscara que anda a exibir por aí, e tanto engana quanto esfola, na medida em que retira dele a possibilidade de sentir-se amado. De amar e desejar.&lt;br /&gt;Narciso, preso à sua imagem refletida, vai aos poucos se afogando nesta metáfora: embebedando-se de si mesmo , indo cada vez mais fundo, lá onde não possam mais olhar para ele.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6337308621087983702-1062780128603008303?l=aventurasdameninama.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://aventurasdameninama.blogspot.com/feeds/1062780128603008303/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6337308621087983702&amp;postID=1062780128603008303' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6337308621087983702/posts/default/1062780128603008303'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6337308621087983702/posts/default/1062780128603008303'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://aventurasdameninama.blogspot.com/2009/06/pobreza-de-narciso.html' title='A pobreza de Narciso'/><author><name>meninama</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05605206690926845475</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-Ei11RhdR6lU/TjVu04jUELI/AAAAAAAAAIM/0EXuGV2swfU/s220/1941pinup_1271.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6337308621087983702.post-2313307685794461770</id><published>2009-03-16T22:24:00.004-03:00</published><updated>2009-03-16T23:01:37.046-03:00</updated><title type='text'>Amor, tropeços e outras chatices mais...</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_ipGOC5aVfhk/Sb8DWiIfYlI/AAAAAAAAAEM/-0Qb7vJ6_7s/s1600-h/ages.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5313969770974896722" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 116px; CURSOR: hand; HEIGHT: 125px" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_ipGOC5aVfhk/Sb8DWiIfYlI/AAAAAAAAAEM/-0Qb7vJ6_7s/s320/ages.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;"Só um amor não concretizado pode ser romântico".&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Ouvi esta frase em um filme, e ela ecoou em meus ouvidos por vários dias.&lt;br /&gt;Só um amor não concretizado pode ser romântico. Neste caso, recobrimos o objeto de amor de ideais referentes a nós mesmos. Características e personalidade do objeto são forjadas de acordo com nossas necessidades neuróticas.&lt;br /&gt;Um amor vivido é, por si só, um amor fracassado. Um amor perdido. Perdido no meio de tantos desencontros inevitáveis no convívio, no ato de conhecer o outro. Perdido em cada momento em que se torna evidente que o outro não é o que esperávamos, não é o que queríamos, o que reservamos para ele...&lt;br /&gt;Nesta confusão de lugares, perde-se a referência:afinal, a quem amo? O que amo?&lt;br /&gt;O único herdeiro de um grande amor é o engano.&lt;br /&gt;&lt;em&gt;"Não, não era nada disso..."&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;No final de um relacionamento resta sempre aquele objeto que o parceiro esqueceu, aquele bilhete que ele escreveu, um copo que ele deixou fora do lugar e que nos faz tropeçar no meio da casa...&lt;br /&gt;Restam as lembranças das manias irritantes pra gente achar ridículo...&lt;br /&gt;Restam as fotos pra olhar e comentar com as amigas como ele já estava ficando meio gordinho...&lt;br /&gt;Sobram estes detalhes - já dizia Roberto - que um dia a gente amou. E que depois tem-se que odiar, chorar, fazer o luto.&lt;br /&gt;E a gente teima em afirmar: &lt;em&gt;"Afinal de contas, ele nem era tão engraçado assim. Não sei como eu pude me enganar deste jeito..."&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6337308621087983702-2313307685794461770?l=aventurasdameninama.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://aventurasdameninama.blogspot.com/feeds/2313307685794461770/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6337308621087983702&amp;postID=2313307685794461770' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6337308621087983702/posts/default/2313307685794461770'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6337308621087983702/posts/default/2313307685794461770'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://aventurasdameninama.blogspot.com/2009/03/amor-tropecos-e-outras-chatices-mais.html' title='Amor, tropeços e outras chatices mais...'/><author><name>meninama</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05605206690926845475</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-Ei11RhdR6lU/TjVu04jUELI/AAAAAAAAAIM/0EXuGV2swfU/s220/1941pinup_1271.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_ipGOC5aVfhk/Sb8DWiIfYlI/AAAAAAAAAEM/-0Qb7vJ6_7s/s72-c/ages.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6337308621087983702.post-6831627017353269605</id><published>2009-01-23T21:32:00.004-02:00</published><updated>2009-01-23T22:13:23.863-02:00</updated><title type='text'>Sem calcinha</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_ipGOC5aVfhk/SXpcepYUKhI/AAAAAAAAADU/0IYOsAKoP_c/s1600-h/calcinha.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 214px; height: 320px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_ipGOC5aVfhk/SXpcepYUKhI/AAAAAAAAADU/0IYOsAKoP_c/s320/calcinha.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5294645993501108754" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;- Sem calcinha.- ele disse.&lt;br /&gt;- Hã?&lt;br /&gt;- Sem calcinha. Quando voltar quero que você venha sem calcinha. De saia, ou de vestido,se preferir...sem nada por baixo...entende?&lt;br /&gt;- Hum.&lt;br /&gt;- Vai vir?&lt;br /&gt;- Não sei.&lt;br /&gt;- Ah,vai...tô te pedindo...&lt;br /&gt;- Pra quê? Que idéia é essa,agora?&lt;br /&gt;- Sei lá. É tipo uma fantasia que eu tenho. Você chega, eu te agarro e pá!!!!&lt;br /&gt;- Sei...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Breve silêncio enquanto ela amarrava os cabelos num rabo-de-cavalo olhando-se no espelho do banheiro. Acabavam de fazer amor. Ele ainda deitado, pensativo,na poltrona. Ela, só de calcinha, admirava os próprios seios. Rompeu o silêncio:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Pois eu tenho outro tipo de fantasia...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Andou até o sofá e sentou-se ao lado dele, passando a mão em seus cabelos úmidos de suor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Qual? Fala!- os olhos dele exprimiam uma voracidade absoluta.&lt;br /&gt;- Eu entro.&lt;br /&gt;- Não. Você bate na porta e eu vou abrir...&lt;br /&gt;- Cala a boca! A fantasia é minha. Vai ouvir ou não?&lt;br /&gt;- Fala.&lt;br /&gt;- Eu chego. Entro sem bater. Chamo e você vem caminhando na minha direção.Depois mando você tirar a roupa e deitar na cama...&lt;br /&gt;- Insossa.&lt;br /&gt;- Quê?&lt;br /&gt;- Fantasia insossa essa sua.&lt;br /&gt;- Você deita na cama ,e eu deito por cima. Chego bem pertinho do seu rosto. Tão perto que dá pra sentir sua respiração. Faço que vou te dar um beijo...e é aí!!!! Nesse ponto!&lt;br /&gt;- Nesse ponto o quê?&lt;br /&gt;- Nesse ponto, quando eu devia te beijar...eu te bato.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele ri. Ela prossegue:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Mas não um tapinha no rosto,que isso é coisa de mulherzinha. Uma boa bofetada.Dessas de tirar sangue... Murros...muitos socos nesta sua cara de bobo, de babaca seduzido. Uma surra completa,isso é o que seria! E com direito a chutes, chicotadas,e cinzeiros jogados na cabeça. Deixar o quarto todo quebrado,a cama toda suja deste seu sangue imundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Silêncio. Ele visivelmente assustado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Depois sabe o que eu faria?&lt;br /&gt;- Hã?&lt;br /&gt;- Me vestiria e iria embora. Sem calcinha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela ri. Ele se levanta, vai ao banheiro, lava o rosto e diz:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Você não entende nada de fantasia sexual.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6337308621087983702-6831627017353269605?l=aventurasdameninama.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://aventurasdameninama.blogspot.com/feeds/6831627017353269605/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6337308621087983702&amp;postID=6831627017353269605' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6337308621087983702/posts/default/6831627017353269605'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6337308621087983702/posts/default/6831627017353269605'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://aventurasdameninama.blogspot.com/2009/01/sem-calcinha_23.html' title='Sem calcinha'/><author><name>meninama</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05605206690926845475</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-Ei11RhdR6lU/TjVu04jUELI/AAAAAAAAAIM/0EXuGV2swfU/s220/1941pinup_1271.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_ipGOC5aVfhk/SXpcepYUKhI/AAAAAAAAADU/0IYOsAKoP_c/s72-c/calcinha.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6337308621087983702.post-5106715772202245568</id><published>2009-01-15T00:35:00.002-02:00</published><updated>2009-01-15T01:06:44.512-02:00</updated><title type='text'>Solidão</title><content type='html'>Nasceu sozinha. Nem foi preciso que a mãe fizesse muito esforço pra que aquele bebê saudável de pouco mais de três quilos saísse da calmaria do útero e entrasse na vida.&lt;br /&gt;Nasceu gritando. Com os olhos esbugalhados, olhando tudo o que acontecia ao seu redor, ela fazia o mundo ouvir sua dor, seu desconforto, sua insatisfação por ter sido obrigada a existir.&lt;br /&gt;Nasceu mulher. Com sua pele clara, cabelos escuros e alma tão manchada quanto o rosto cheio de sardas.&lt;br /&gt;Insatisfeita. Querendo mais. Ela nasceu assim: fome, sede, queria leite, queria colo, queria mãe, queria!&lt;br /&gt;Os anos foram passando e ela não mudava em nada. Birrenta, atrevida, petulante...&lt;br /&gt;Os parentes se irritavam com ela: pois não entendia que não se pode ter tudo?&lt;br /&gt;Não. Ela não entendia. E por isso gritava, chorava, respondia...&lt;br /&gt;"Mal criada!!! Que o gênio desta menina ninguém aguenta!"&lt;br /&gt;E ela, aguentava?&lt;br /&gt;Não suportava a companhia de ninguém, mas morria de solidão.&lt;br /&gt;Não encontrava um amigo, um ombro, alguém que a entendesse... que falasse a mesma língua que ela.&lt;br /&gt;Em casa só ouvia resmungo e os adultos diziam: "Essa menina inventa cada moda..."&lt;br /&gt;Um dia deu pra chorar na praia.&lt;br /&gt;Era Janeiro, verão, céu claro e um mar lindo esperando por ela.&lt;br /&gt;Queria era ficar dentro do carro. E chorava, chorava.&lt;br /&gt;"Mas o que será que essa menina quer?"&lt;br /&gt;O tempo continuou passando, e a encaminharam ao analista.&lt;br /&gt;"Ora, mas ela é histérica! Elas nunca sabem o que querem...e querem sempre o que não pode."&lt;br /&gt;Fez análise, trabalhou, estudou, cresceu.&lt;br /&gt;Conheceu muitos rapazes. Namorou alguns, mas achou que eram cegos demais.&lt;br /&gt;Ela queria enxergar... lá longe...ver o que havia de mais fantástico na vida.&lt;br /&gt;Por isso não suportava a prudência e a covardia dos homens.&lt;br /&gt;Percebeu que para seguir sua viagem teria de renunciar às companhias, ao apoio e o carinho dos outros. Pois pra ela isso tudo era pesado demais, custava caro demais.&lt;br /&gt;O amor tinha seu preço.&lt;br /&gt;Ela não quis pagar.&lt;br /&gt;Olhou para as fotos das pessoas queridas.&lt;br /&gt;Pensou nos amigos felizes, casados, completos.&lt;br /&gt;Soube que aquilo não era pra ela.&lt;br /&gt;Depois de chorar, saiu.&lt;br /&gt;Sozinha.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6337308621087983702-5106715772202245568?l=aventurasdameninama.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://aventurasdameninama.blogspot.com/feeds/5106715772202245568/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6337308621087983702&amp;postID=5106715772202245568' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6337308621087983702/posts/default/5106715772202245568'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6337308621087983702/posts/default/5106715772202245568'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://aventurasdameninama.blogspot.com/2009/01/solido.html' title='Solidão'/><author><name>meninama</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05605206690926845475</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-Ei11RhdR6lU/TjVu04jUELI/AAAAAAAAAIM/0EXuGV2swfU/s220/1941pinup_1271.jpg'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6337308621087983702.post-4689212618229405526</id><published>2008-12-30T14:51:00.005-02:00</published><updated>2008-12-30T18:07:36.000-02:00</updated><title type='text'>Sobre o fim do ano</title><content type='html'>Eu deveria usar este espaço para fazer meu balanço de fim de ano. Não é isso que todos fazem? Revisar o que deu certo e o que não deu, fazer planos para o próximo ano, metas...&lt;br /&gt;Não que eu não tenha aspirações, sonhos, e não elabore estratégias para realizá-los. Mas se tem algo que me enoja e causa preguiça nas preparações natalinas é o caráter artificial das reflexões. &lt;em&gt;"Para o ano que vem, quero finalmente comprar aquele carro, fazer aquela viagem, fazer um curso de inglês..."&lt;/em&gt;&lt;br /&gt; &lt;em&gt;" Em 2009 serei uma amiga mais atenciosa, uma mãe tolerante, uma esposa dedicada..."&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;O início do ano é uma convenção. Uma data escolhida arbitrariamente para simbolizar outra época. O fim do ano não nos torna amorosos, nem nos dota de capacidade de avaliação mais apurada. No dia 1° de Janeiro não estamos dispostos a levar uma &lt;em&gt;vida nova&lt;/em&gt;. Somos os mesmos, carregamos nossas dores crônicas, do corpo e da mente. Temos ainda as nossas resistências, tão entranhadas que fingimos que vamos mudá-las. Parar de fumar, continuar aquela terapia, tentar mais uma vez fazer o casamento dar certo...&lt;br /&gt;Que recomeço é este?&lt;br /&gt;Parece que o Natal, os cartões melosos, os presentes, os abraços nos ajudam a mascarar nossas verdades. As promessas de fim de ano soam tão falsas aos meus ouvidos que mal resisto à tentação de fazer um comentário sarcástico quando aquele parente diz pela milésima vez: &lt;em&gt;"Ano que vem eu vou mudar!"&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;As metas, os gráficos de produtividade no trabalho, as conclusões acerca das relações familiares, tudo isso trabalhando a favor do recalcamento, fazendo com que fiquem cada vez mais submersos em nossos pensamentos, as questões que realmente importam.&lt;br /&gt;Fala-se &lt;em&gt;vou cuidar mais do meu filho &lt;/em&gt;como se diz que é &lt;em&gt;preciso trocar as cortinas da sala&lt;/em&gt;. Na lista de balanço do ano entram, lado a lado, a frustração na carreira, a reforma do apartamento, e o melhor desempenho como pai. Tudo se torna comparável, análogo: peru da ceia, presente da mamãe, amizade com a irmã. Afinal, é festa! Vamos fazer as orações e abrir logo os embrulhos! Prometa ser mais atencioso com a mulher, ou mais dedicada aos estudos... depois abrace o vizinho e coma sua torta!&lt;br /&gt;Também gosto das guloseimas que compõem a mesa das festas de fim de ano. Ganhar presentes é mesmo prazeroso. Mas pensar que toda a parafernália natalina - árvore, sinos, tios vestidos com roupa vermelha e barba branca - trazem bons sentimentos e provocam a união da família é uma tolice absurda.&lt;br /&gt;As verdadeiras mudanças são decorrentes de nossas elaborações internas, de muitas perguntas sobre o que nos causa sofrimento, e principalmente, até que ponto queremos que isso seja diferente. É preciso trabalho árduo, coragem, e algum tempo para tornar real aquela mudança tão sonhada. E esse tempo não é equivalente ao nosso calendário. É o tempo do próprio sujeito. Daquele que padece, e não da chegada do Papai Noel.&lt;br /&gt;Qual será a hora certa para o filho que sempre se sentiu rejeitado abrir mão do rancor e aproximar-se dos pais? Quanto tempo leva? Seis meses? Trinta anos? O tempo de um Pai Nosso antes da ceia? Quem é que sabe?&lt;br /&gt;O importante é lembrar que tudo o que é subjetivo não se submete às regulações externas impostas pela sociedade do consumo. Caso contrário, escondemos cada vez mais o que sentimos, e agimos de forma estereotipada. Quem de nós não sabe de cor tudo o que acontecerá nas noites de Natal em família nos próximos anos? Pois são as mesmas felicitações, as mesmas orações, as pessoas que bebem mais e as que bebem menos. Os mesmos tipos de presente de cada um - aquele que dá lembrancinhas a todos, o que dá presentes caros, só para mostrar como é generoso, e aquele que nunca dá nada a ninguém e sempre procura se desculpar.&lt;br /&gt;Não quero desejar um Feliz Natal, ou Próspero Ano Novo aos meus amigos queridos. Prefiro que eles tenham a possibilidade de escolher o que sentir neste fim de ano.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6337308621087983702-4689212618229405526?l=aventurasdameninama.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://aventurasdameninama.blogspot.com/feeds/4689212618229405526/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6337308621087983702&amp;postID=4689212618229405526' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6337308621087983702/posts/default/4689212618229405526'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6337308621087983702/posts/default/4689212618229405526'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://aventurasdameninama.blogspot.com/2008/12/sobre-o-fim-do-ano.html' title='Sobre o fim do ano'/><author><name>meninama</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05605206690926845475</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-Ei11RhdR6lU/TjVu04jUELI/AAAAAAAAAIM/0EXuGV2swfU/s220/1941pinup_1271.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6337308621087983702.post-2269608944253873049</id><published>2008-10-29T21:16:00.002-02:00</published><updated>2008-10-30T20:15:47.903-02:00</updated><title type='text'>A insistência do lembrar e a vontade de esquecer</title><content type='html'>Quem de nós nunca sentiu aquele desejo de ter na cabeça um gravador?&lt;br /&gt;Às vezes temos o impulso de reter, capturar algo que gostamos.&lt;br /&gt;Um trecho de livro que copiamos num papel, com a esperança de fixar na memória.&lt;br /&gt;Uma música que escutamos sem parar, até decorarmos cada suspiro do cantor...&lt;br /&gt;A memória é falha. Esquecemos datas importantes, compromissos, aniversários, nomes, telefones...&lt;br /&gt;Mas será que é falha mesmo?&lt;br /&gt;As descobertas freudianas foram muito elucidativas ao nos apontar a relação de cada lacuna com nossa subjetividade. Para toda ausência, uma presença. Para cada palavra que falta, muitos pensamentos que sobram. Para toda escassez, o excesso.&lt;br /&gt;Li uma vez uma entrevista de um escritor nos lembrando das vantagens de esquecer. Pensem no quanto seria chato conservar intactas todas as histórias lidas, todos os filmes assistidos, todos os romances vividos... Pois a cada vez que lemos um conto,é outra coisa que ele nos conta. Um livro, depois de muitos anos na estante, é outro, nos mostrando algo além daquilo que já havíamos percebido antes.&lt;br /&gt;Esquecemos, mas preservamos a possibilidade de um novo encontro, outra interpretação, nova experiência.&lt;br /&gt;Recordo ainda o dia em que um homem que amei me disse que deletava meus emails, assim que os lia. E não era só isso: apagava também as mensagens no celular, rasgava cartas, e etc.&lt;br /&gt;Amarguei o dissabor da rejeição, não sem pensar no significado daquele estranho e obsessivo ímpeto de me anular. Para este homem, aquele era um amor proibido. Censurado pelas regras externas e,principalmente,internas.&lt;br /&gt;Não foi fácil lidar com este homem-borracha. Será que ele não era capaz de reconhecer meu investimento naquilo que endereçava a ele?&lt;br /&gt;Muitas e muitas vezes meu parceiro tentou me apagar. Minimizou nosso envolvimento,e até usou expressões como "erro","fora de controle","mal entendido". Ele negou com veemência sentimentos que eram claros, reconhecíveis na atmosfera que nos rodeava. Mas eu, ainda atordoada pelo bobo e fútil final do romance, teimava em mostrar àquele homem o que ele lutava para esquecer.&lt;br /&gt;Ele não me ouviu. Pelo contrário, quanto mais eu insistia, mais ele parecia sofrer de algum tipo de moléstia da memória. Tenho para mim que se tivesse sido um pouco mais incisiva, ele alegaria jamais ter me conhecido...&lt;br /&gt;Gostaria de ter dito para o rapazote que por muito esforço que fizesse, ele não conseguiria desmanchar o ponto mais importante desta história. Porque não há "delete" que expurgue de dentro dele a torrente de questionamentos que nosso encontro havia trazido para sua vida.&lt;br /&gt;Aquele homem hoje não lê as tantas palavras que lhe escrevi. Mas deve tê-las apagado, justamente por ainda escutá-las incessantemente...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6337308621087983702-2269608944253873049?l=aventurasdameninama.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://aventurasdameninama.blogspot.com/feeds/2269608944253873049/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6337308621087983702&amp;postID=2269608944253873049' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6337308621087983702/posts/default/2269608944253873049'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6337308621087983702/posts/default/2269608944253873049'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://aventurasdameninama.blogspot.com/2008/10/insistncia-do-lembrar-e-vontade-de.html' title='A insistência do lembrar e a vontade de esquecer'/><author><name>meninama</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05605206690926845475</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-Ei11RhdR6lU/TjVu04jUELI/AAAAAAAAAIM/0EXuGV2swfU/s220/1941pinup_1271.jpg'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6337308621087983702.post-7807204492472971846</id><published>2008-10-07T22:31:00.004-03:00</published><updated>2008-10-08T22:47:36.019-03:00</updated><title type='text'>Luto e Viktor Frankl</title><content type='html'>Estou cursando ,a duras penas,uma matéria sobre um psicólogo que teoriza sobre o sentido da vida a partir de suas experiências num campo de concentração.&lt;br /&gt;Frankl pensa que quando se tem um motivo pra viver,sobrevive-se a (quase)qualquer coisa.&lt;br /&gt;Em certo ponto concordo com ele.&lt;br /&gt;Em outros,vou na contramão.&lt;br /&gt;Explico: não acredito que possamos encontrar o sentido da vida,simplesmente por crer que ele não existe.&lt;br /&gt;Acho que a vida não tem um sentido a priori.&lt;br /&gt;Talvez inventar um seja nosso maior desafio.E ele tem de ser criado.Aí concordo com Frankl.Sem um sentimento de sentido da própria existência, o sujeito cai no desespero.&lt;br /&gt;Devo confessar que o tom que o autor utiliza para expressar suas idéias me causa bastante desconforto.&lt;br /&gt;É uma escrita cheia de exemplos bem sucedidos de únicas sessões que levam a uma mudança definitiva e muito significativa na vida daquele que mergulha em suas questões existencias.Não acredito nestes "milagres".Mudança exige muito trabalho,muita repetição. Além disso,Frankl critica a psicanálise o tempo todo,afirmando que a logoterapia,ao contrário da teoria freudiana, trabalha as questões humanas do paciente.&lt;br /&gt;Questões humanas?&lt;br /&gt;Ora,pra mim não há nada de desumano em pedir a um sujeito que fale,como e quando quiser,daquilo que o angustia,daquilo até que ele julga indigno de atenção.&lt;br /&gt;Pra mim estas são questões humanas.&lt;br /&gt;Mas vamos parar com a picuínha.&lt;br /&gt;Toda esta história é pra dizer que me deparei com uma frase que dissolveu minha antipatia logoterápica em segundos.Vale reproduzi-la:&lt;br /&gt;"Nada pode ser desfeito,nada pode ser eliminado;eu diria que ter sido é a mais segura forma de ser."&lt;br /&gt;Fiquei muito impressionada com esta sentença. Ter sido é uma forma de ser.O que já foi,ainda,teimosamente,permanece.&lt;br /&gt;Qualquer semelhança com a psicanálise não é mera coincidência.Risos.&lt;br /&gt;Mas,fazendo uma fajuta auto-análise, acho que o peso que esta frase teve para mim se deve ao processo de luto pelo qual estou passando.&lt;br /&gt;Conforta saber que ninguém tira de nós o que foi vivido.&lt;br /&gt;Fragmento de uma sessão de análise de um garotinho que perdeu o pai:"Ele morreu, mas vai sempre existir na minha cabeça.E também no meu coração."&lt;br /&gt;Talvez eu tenha,ironicamente,encontrado um sentido ,senão da vida,pelo menos desta disciplina de Frankl.&lt;br /&gt;Acredito que ele deve ter ficado feliz,lá onde está,ao ver que depois de tanta resistência entendi o que aqueles textos queriam dizer.&lt;br /&gt;Valeu MUITO a pena ter conhecido a logoterapia de Frankl.Mesmo que só por causa desta frase.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Talvez as núvens estejam se afastando,dando lugar a um novo céu,um novo teto,uma nova configuração em meu psiquismo.&lt;br /&gt;Não é preciso mais tanta briga.&lt;br /&gt;Se o que foi ainda é,ninguém me tira.&lt;br /&gt;Está aqui comigo,como ensina o menininho,na cabeça e no coração!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6337308621087983702-7807204492472971846?l=aventurasdameninama.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://aventurasdameninama.blogspot.com/feeds/7807204492472971846/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6337308621087983702&amp;postID=7807204492472971846' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6337308621087983702/posts/default/7807204492472971846'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6337308621087983702/posts/default/7807204492472971846'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://aventurasdameninama.blogspot.com/2008/10/luto-e-victor-frankl.html' title='Luto e Viktor Frankl'/><author><name>meninama</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05605206690926845475</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-Ei11RhdR6lU/TjVu04jUELI/AAAAAAAAAIM/0EXuGV2swfU/s220/1941pinup_1271.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6337308621087983702.post-976148523126420575</id><published>2008-10-02T11:42:00.007-03:00</published><updated>2009-11-30T16:03:23.723-02:00</updated><title type='text'>Vigilantes do desejo</title><content type='html'>Assisti a um desenho, meio dormindo, nesta manhã, que achei genial.&lt;br /&gt;O desenho se chama "padrinhos mágicos",e é sobre um menino que conta com a ajuda destes seres sobrenaturais em suas peripécias infantis.&lt;br /&gt;O tema de hoje era "Vigilantes do desejo". Uma firma de duendes que queriam tomar o poder no reino da fadas, declarou a seguinte ordem: ninguém poderia fazer desejos estúpidos. A cada vez que o personagem desejava algo que era considerado "bobo", seus padrinhos eram severamente punidos.&lt;br /&gt;Fiquei pensando na inteligência deste episódio, aparentemente tão banal.&lt;br /&gt;O menino se vê impedido de desejar ter grandes pernas de queijo, ou assistir a corridas de porcos voadores. Seus desejos, suas vontades, sempre são consideradas tolas demais.&lt;br /&gt;Impossível não reconhecer este duende tirano na nossa vida. Seja nos nossos familiares, no emprego, ou no parceiro que escolhemos. Parece haver alguém nos impedindo de querer as coisas mais idiotas, ter os desejos mais bizarros.Mas, já dizia Freud, nestes anseios que nos parecem mais estranhos há uma singularidade absoluta.&lt;br /&gt;Nos fazem pensar que o que queremos destoa, caduca, é piegas.Uma ligação no meio da noite,tão fora de hora. Uma curiosidade que não deveria surgir. Um amor que foge daquilo que foi proposto.&lt;br /&gt;Acreditamos nesta imposição, e acabamos alienados aos desejos dos outros.&lt;br /&gt;Nada mais chato, frustrante.&lt;br /&gt;Não penso que nosso desejo não deva ter limites. Em certos momentos uma contenção é fundamental,caso contrário caímos na pura repetição, sem elaboração alguma,na morte.&lt;br /&gt;Entretanto, não permito que me impeçam de sonhar com meus porquinhos voadores. Eu resisto,afinal!&lt;br /&gt;Eu não quero ser um soldado dos vigilantes do desejo.&lt;br /&gt;Este blog já é uma prova disto.&lt;br /&gt;Para aqueles que se submetem,je suis desolé!!!!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6337308621087983702-976148523126420575?l=aventurasdameninama.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://aventurasdameninama.blogspot.com/feeds/976148523126420575/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6337308621087983702&amp;postID=976148523126420575' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6337308621087983702/posts/default/976148523126420575'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6337308621087983702/posts/default/976148523126420575'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://aventurasdameninama.blogspot.com/2008/10/vigilantes-do-desejo.html' title='Vigilantes do desejo'/><author><name>meninama</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05605206690926845475</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-Ei11RhdR6lU/TjVu04jUELI/AAAAAAAAAIM/0EXuGV2swfU/s220/1941pinup_1271.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6337308621087983702.post-1328096050508997714</id><published>2008-09-06T02:08:00.004-03:00</published><updated>2008-09-06T13:01:25.158-03:00</updated><title type='text'>"Com certeza eu perderia..."</title><content type='html'>Parece que os homens que cruzam meu caminho adoram ler meu blog.De outro modo,como explicar estas frases que eles me dão de presente? A última foi o título desta postagem.&lt;br /&gt;Após uma discussão,um rapaz, a quem,por sinal, muito estimo, me disse, de forma quase que humilde, que não desejava entrar em uma briga comigo. Ainda fechou com esta sentença de ouro: &lt;em&gt;&lt;em&gt;"Com certeza eu perderia&lt;/em&gt;..."&lt;/em&gt;Depois da sensação de vitória que estas palavras me causaram, e de me regozijar com a massagem egóica que recebi,comecei a ler esta frase de um outro jeito.&lt;br /&gt;Com certeza ele perderia.Ora,que graça pode haver em travar uma luta quando já se sabe o placar final? A solução é a desistência.&lt;em&gt;..."Se vou perder,melhor mesmo é sair enquanto ainda tenho um pouco de dignidade masculina..." &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Engraçado como fica claro que as relações afetivas são um palco de disputas.Alguns,mais fanáticos,gostam da crueza da luta livre.Outros,com mais classe, jogam capoeira,uma briga disfarçada de arte, uma luta maqueada...&lt;br /&gt;Não é a toa que este espaço,onde tenho escrito exclusivamente sobre desventuras amorosas, tem no título a palavra &lt;strong&gt;&lt;em&gt;má&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;.&lt;br /&gt;Amar é uma briga.&lt;br /&gt;Uma batalha de cada vez.&lt;br /&gt;Difícil,quase impossível, não ser menina má neste território em que todo encontro exige um vencedor e um vencido.Aquele que domina, e o que obedece.&lt;br /&gt;Uma amiga ,quando conversávamos sobre este assunto, me perguntou,de forma provocativa:&lt;br /&gt;&lt;em&gt;"Mas será que sempre vai ser assim? Sempre tem que ter alguém no comando?"&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Desafio meus leitores a provarem o contrário,mas eu ,até hoje,não conheci amor que não fosse parasitado pelo poder.&lt;br /&gt;&lt;em&gt;"Com certeza eu perderia"&lt;/em&gt; é também um jeito de mandar.É uma forma de impedir,apesar de com muita simpatia e fazendo lisonjas, o outro de jogar.É como dizer: &lt;em&gt;"já que você marca gol nos pênaltis,então pego minha bola e termino com esta partida antes dos 90 minutos".&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;O mocinho que não suporta brigar...&lt;br /&gt;Bobinho...Mal sabe ele que já entrou na guerra há muito tempo...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6337308621087983702-1328096050508997714?l=aventurasdameninama.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://aventurasdameninama.blogspot.com/feeds/1328096050508997714/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6337308621087983702&amp;postID=1328096050508997714' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6337308621087983702/posts/default/1328096050508997714'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6337308621087983702/posts/default/1328096050508997714'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://aventurasdameninama.blogspot.com/2008/09/com-certeza-eu-perderia.html' title='&quot;Com certeza eu perderia...&quot;'/><author><name>meninama</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05605206690926845475</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-Ei11RhdR6lU/TjVu04jUELI/AAAAAAAAAIM/0EXuGV2swfU/s220/1941pinup_1271.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6337308621087983702.post-6527397777606119625</id><published>2008-08-07T07:55:00.003-03:00</published><updated>2008-10-23T00:09:52.207-02:00</updated><title type='text'>Desventuras da menina má</title><content type='html'>Não consigo dormir.Simplesmente não consigo.Alguém já tentou assistir televisão de madrugada? Realmente não sei se as pessoas fazem isso por estarem solitárias e deprimidas ou se ficam deprimidas por assitirem àqueles programas.Quem trabalha durante a noite lá em casa é o controle remoto.Fico mudando insistentemente de canal,como se a minha esperança fosse fazer surgir na T.V. um filme interessante,uma entrevista que valha a pena ver.Tenho poucas opções em minhas noites de insônia:me exorcizar nos canais evangélicos,me excitar com os (patéticos)programas eróticos,ou -o mais difícil de todos- tentar rir daqueles enlatados americanos que nos são enfiados goela abaixo.Que tédio!&lt;br /&gt;Outro dia recebi um recado no orkut&lt;em&gt;:"Estou esperando novas aventuras da menina má"&lt;/em&gt;.Bom,sinto decepcionar meus leitores.Esta menina não tem tido aventuras maiores do que colocar frases irônicas no msn ou garimpar um filme antigo na locadora.Agora &lt;strong&gt;má&lt;/strong&gt; mesmo é a programação da televisão.Deus nos livre!&lt;br /&gt;Esta que vos escreve se cansou da vida noturna,das entrevistas semi-estruturadas dos primeiros encontros,das boates lotadas que vendem caipirinha a R$ 9,50,das conversas no banheiro para falar mal dos homens com as amigas,das cantadas ridículas...A menina má não aguenta mais responder ao questionário pós primeiro beijo.Suponho que alguns homens recebam algum tipo de treinamento ao entrarem na puberdade.Algo para ler,uma apostila,tipo:MAG-Manual para Abordar Garotas.Como eles conseguem ser tão previsíveis?Reproduzo um diálogo:&lt;br /&gt;Homem qualquer(Hq):-&lt;em&gt;Posso me sentar?&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Menina Má(Mm):-...&lt;br /&gt;Hq:-&lt;em&gt;Como você se chama?&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Mm:-...&lt;br /&gt;Hq:-&lt;em&gt;O que você faz?Trabalha?Estuda?&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Mm:-...&lt;em&gt;eu&lt;/em&gt;...&lt;br /&gt;Hq:-&lt;em&gt;Nossa,o que é isso que você está bebendo? Acho que vou pedir mais um pra nós.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Mm:-...&lt;br /&gt;Hq:-&lt;em&gt;Você é muito bonita.Já te disseram isso?&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Mm:-&lt;em&gt;Já.Aliás,já me falaram todas estas frases,nesta mesma ordem,com esta mesma cara...&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;A menina má cansou até mesmo de fazer suas maldades por aí.De soltar seus comentários ácidos para importunar meninos bobos.Ela acha que não vale mais a pena.Houve um tempo em que ela se divertia rindo das idiotices proferidas pelos conquistadores de meia tigela que só contam mentiras.Certa vez, um deles,em uma conversa "muito" interessante com a Mm,após ouvir desta que ela estudava psicologia,disse que "psicólogo tira um scanner da cabeça dos outros".Ela não se conteve e ,depois das risadas,pediu a conta.Ora,nem de computação ele entendia...Tirar um scanner? Outra vez a menina má,já mal humorada em decorrência do público da festa,foi abordada por um infeliz rapaz que falava tanto e tão rápido que ela nem conseguia entender.Ela só compreendia algumas palavras no meio daquela verborragia:"xxxxxx eu estava olhando pra você xxxxxxxxxxxx você tem namorado?xxxxxxx Tô querendo te beijar há um tempão xxxxxxxxxxxxxx".Ela,na tentativa de acabar com o monólogo,interrompeu o sujeito dizendo:"Escuta,será que você não tem um amigo bonito pra me apresentar?".Ao que ele,ainda em dúvida,respondeu:"Mas então você está me chamando de feio?"&lt;br /&gt;A menina má chegou a rir destes sujeitos.Mas,assim como todos os palhaços estúpidos,eles perderam a graça rapidamente.Agora ela prefere assistir à Grande Família na quinta-feira.Ou ao C.Q.C. na segunda.Aventuras,só se forem as do Indiana Jones,no dvd.Ou ainda em um bom livro.Afinal já não é tão emocionante lidar com a maioria destes homens.Praticamente já se sabe como termina.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6337308621087983702-6527397777606119625?l=aventurasdameninama.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://aventurasdameninama.blogspot.com/feeds/6527397777606119625/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6337308621087983702&amp;postID=6527397777606119625' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6337308621087983702/posts/default/6527397777606119625'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6337308621087983702/posts/default/6527397777606119625'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://aventurasdameninama.blogspot.com/2008/08/desventuras-da-menina-m.html' title='Desventuras da menina má'/><author><name>meninama</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05605206690926845475</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-Ei11RhdR6lU/TjVu04jUELI/AAAAAAAAAIM/0EXuGV2swfU/s220/1941pinup_1271.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6337308621087983702.post-3483000899906980332</id><published>2008-06-27T12:14:00.002-03:00</published><updated>2008-06-27T12:18:00.646-03:00</updated><title type='text'>Freud já falava sobre a denegação.</title><content type='html'>&lt;a href="http://bp3.blogger.com/_ipGOC5aVfhk/SGUEBpnGsII/AAAAAAAAAA4/xxffgMR3KN4/s1600-h/images.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://bp3.blogger.com/_ipGOC5aVfhk/SGUEBpnGsII/AAAAAAAAAA4/xxffgMR3KN4/s320/images.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5216580169774837890" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Ridículo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6337308621087983702-3483000899906980332?l=aventurasdameninama.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://aventurasdameninama.blogspot.com/feeds/3483000899906980332/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6337308621087983702&amp;postID=3483000899906980332' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6337308621087983702/posts/default/3483000899906980332'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6337308621087983702/posts/default/3483000899906980332'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://aventurasdameninama.blogspot.com/2008/06/blog-post.html' title='Freud já falava sobre a denegação.'/><author><name>meninama</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05605206690926845475</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-Ei11RhdR6lU/TjVu04jUELI/AAAAAAAAAIM/0EXuGV2swfU/s220/1941pinup_1271.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp3.blogger.com/_ipGOC5aVfhk/SGUEBpnGsII/AAAAAAAAAA4/xxffgMR3KN4/s72-c/images.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6337308621087983702.post-833435749418579657</id><published>2008-06-27T11:02:00.004-03:00</published><updated>2008-06-27T12:23:21.320-03:00</updated><title type='text'>O Ridículo</title><content type='html'>Quase não dava para notá-lo no meio daquelas pessoas.Um tipo magro,comum,de tênis e óculos.Sempre andava com uma sombrinha enorme,para usar caso chovesse.Sua estranheza era disfarçada por sua habilidade verbal,sua simpatia artificial e sua boa vontade forjada.Quem olhasse de relance o acharia normal.Mas na verdade,ele era ridículo.&lt;br /&gt;O Ridículo atravessava os corredores pensando em quem poderia surpreendê-lo ali.O que diria se algo saísse errado?Que resposta daria a perguntas capciosas?Ia elaborando mentalmente um plano para lidar com questões de urgência.Fazer isso,fazer aquilo...tecia manuais de conduta no caminho para a casa,já que não precisava se preocupar com o menu do jantar:comia sempre o mesmo.&lt;br /&gt;Depois da sobremesa ele consultava sua agenda,onde marcava com caneta azul os compromissos cumpridos,e com caneta vermelha os que foram adiados.Quase sempre honrava seus compromissos.Mas será que isto o fazia honrado?&lt;br /&gt;Ele seguia seus horários.O dia era dividido entre trabalho,um pouco de exercícios físicos e estudo.Mas não se engane,caro leitor.Ele não se exercitava por prazer, mas por necessidade.O médico havia recomendado,para aliviar umas dores lombares.E se havia algo que ele sabia fazer era seguir recomendações.&lt;br /&gt;O Ridículo às vezes se deparava com grandes problemas: sabonete neutro,ou de glicerina? Ora,a pele poderia ficar irritada...Aliás,isso ele ficava com frequência.Bem irritado.Irritado com o trânsito,com a cafeteira que não funcionava,com o tempo chuvoso,com o barulho da obra do vizinho...O Ridículo vivia irritado,mas apenas seu estômago sabia.Ele desenvolveu,com o passar do tempo,uma gastrite nervosa.Odiava o vizinho da frente,mas sorria quando o encontrava no elevador.&lt;br /&gt;É preciso ser claro: o Ridículo era um sujeitinho bem apagado.Parecia que sua vida tinha acontecido assim,sem grandes surpresas,sempre sendo conduzida por outras mãos,decidida por convenções,definida por boas propostas.&lt;br /&gt;O Ridículo era um bom profissional.Afinal,ele havia sido um bom aluno-como mandara o papai,havia se especializado-segundo sugestão da mamãe,e mantinha boas relações com os colegas-orientado pela esposa.Trabalhava razoavelmente,obtinha boa renda.Rezava antes de dormir.Sim,ele acreditava em Deus,mas não frequentava igrejas,pois temia ficar fanático como alguns evangélicos,ou conservador demais como alguns católicos.Era mais prudente rezar em casa.&lt;br /&gt;Ele falava várias línguas.Aprendera cedo,foi a única criança na sua família que aproveitou as aulas de inglês.Os primos matavam aula pra jogar futebol.Ele não.Aquilo não era certo.E se papai descobrisse?Não,ele não se arriscava.&lt;br /&gt;O Ridículo passou toda a sua vida tentando se esquivar de um contratempo,de uma falta,de um erro.O que mais o angustiava era a imagem daquele velho apontando e dizendo pra ele:"você só serve pra puxar carroça!".Como ele ficava apavorado só em supor que poderia ser punido!&lt;br /&gt;O que ele não entendia era que ele nunca seria sancionado.Pois até para inimigo escolhe-se o melhor.E francamente,que graça poderia haver em ter por desafeto um homem assim tão insípido?Afinal,era um homem?Ou tratava-se de um boneco de cera?&lt;br /&gt;O Ridículo ganhou este nome em uma ocasião especial.Sua vida foi atravessada por uma pergunta que só nos é colocada uma única vez:&lt;em&gt;Estás feliz com o que tu és?Queres mudar?&lt;/&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;Ele respondeu de pronto:Não!Pois não era mesmo feliz.Mas tampouco desejava ser outro."Prefiro ser assim.Este serzinho ridículo..."&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6337308621087983702-833435749418579657?l=aventurasdameninama.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://aventurasdameninama.blogspot.com/feeds/833435749418579657/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6337308621087983702&amp;postID=833435749418579657' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6337308621087983702/posts/default/833435749418579657'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6337308621087983702/posts/default/833435749418579657'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://aventurasdameninama.blogspot.com/2008/06/o-ridculo.html' title='O Ridículo'/><author><name>meninama</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05605206690926845475</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-Ei11RhdR6lU/TjVu04jUELI/AAAAAAAAAIM/0EXuGV2swfU/s220/1941pinup_1271.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6337308621087983702.post-883183287853921294</id><published>2008-06-26T10:57:00.004-03:00</published><updated>2008-06-26T11:46:08.244-03:00</updated><title type='text'>Sobre a (in) fidelidade</title><content type='html'>Por que toda esta preocupação sobre a fidelidade?&lt;br /&gt;Fiel. A quem?&lt;br /&gt;Que promessa louca é essa -parece ser feita pra não ser cumprida- de que temos que zelar pelo outro incondicionalmente?&lt;br /&gt;Que olhar é esse que temos que direcionar para um lugar e recusar tudo o que existe além disso?&lt;br /&gt;Este pacto mais me parece uma defesa,uma tentativa desesperada de normatizar nossos desejos,organizar as fantasias.Ora,este discurso "olho pra você,vivo com você,amo você. Até que a morte nos separe".Não há ,neste argumento, espaço para a contingência,para aquilo que surpreende,que não estava combinado.Não é a toa que a maioria dos casamentos são infelizes.&lt;br /&gt;Como um relacionamento tão bem amarrado pode gerar bem estar?&lt;br /&gt;Se tememos tanto a liberdade,é porque há um saber,mesmo que não consciente,de que ser livre custa caro.É ter que pagar o preço de nossos desejos,talvez inconfessáveis,irrealizáveis.&lt;br /&gt;A aliança que sela este acordo deprimente causa angústia.Por um lado,a segurança:"sou aquele que escolheu ter este tipo de parceiro.Sou assim". Por outro, a tragédia de se saber totalmente atravessado por controles e regras.Dias de fazer compras,de visitar os cunhados, de ter relações sexuais...Nenhuma surpresa,muita chatice na monotonia da rotina.Surge o sentimento de que a vida de verdade deve estar acontecendo lá fora...&lt;br /&gt;Chama-me atenção o absurdo da proposta matrimonial:restringir o campo de intencionalidade a um único sujeito.Tão tolo,quando sabemos que o desejo nasce da proibição...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6337308621087983702-883183287853921294?l=aventurasdameninama.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://aventurasdameninama.blogspot.com/feeds/883183287853921294/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6337308621087983702&amp;postID=883183287853921294' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6337308621087983702/posts/default/883183287853921294'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6337308621087983702/posts/default/883183287853921294'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://aventurasdameninama.blogspot.com/2008/06/sobre-in-fidelidade.html' title='Sobre a (in) fidelidade'/><author><name>meninama</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05605206690926845475</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-Ei11RhdR6lU/TjVu04jUELI/AAAAAAAAAIM/0EXuGV2swfU/s220/1941pinup_1271.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6337308621087983702.post-5809501552379850618</id><published>2008-06-17T00:15:00.000-03:00</published><updated>2008-06-17T01:08:08.002-03:00</updated><title type='text'>Os casos clínicos que atendi sem perceber</title><content type='html'>Este breve texto é um protesto. Uma reivindicação por melhores condições de trabalho. Mas ao contrário do que se poderia pensar,não trabalho em nenhuma fábrica.Não sou metalúrgica,não faço greves.Nem mesmo trabalho na seção de RH de alguma empresa.&lt;br /&gt; Sou psicanalista.Mas antes disso,mulher.Tenho a vida social-amorosa marcada pelos desentendimentos e futilidades característicos da modernidade.Muitos casos,poucos que valham a pena serem lembrados.Alguns até me rendem contos engraçados,outros nem isso.Num momento de introspecção me pergunto de que adianta toda esta estapafúrdia experiência em encontros e desencontros.Ou melhor,encontros e despedidas.Será mesmo minha "missão" contar estas pérolas aos outros para diverti-los um pouco?&lt;br /&gt; Em uma conversa despretensiosa e cômica com uma das minhas amigas,ela disse uma frase que me chamou a atenção&lt;em&gt;:"Vai ver isto era caso clínico e você nem se deu conta!".&lt;/em&gt;Dei uma grande risada da sabedoria implícita nesta brincadeira.E não é que faz sentido?&lt;br /&gt; Os homens estão cada vez mais assustados.Correm,fogem como franguinhos quando percebem o que é uma mulher.Pois as mulheres querem tudo! Mas nem por isso se contentam com qualquer coisa.São exigentes,inconformistas,questionadoras,intrigantes e sedutoras.Possuem um poder de convencimento que na maioria das vezes é usado em benefício delas mesmas,sem o menor pudor.Os homens olham de longe,aproximam-se um pouco,mas teimam em manter uma distância segura.Ao menor sinal de perigo, eles dão no pé.&lt;br /&gt; Dá última vez que um homem se despediu de mim,ele disse,muito sério&lt;em&gt;:"Você,como psicóloga,deve entender isso melhor do que eu." &lt;/em&gt;Risos.Meus.&lt;br /&gt; É nesta hora que entra a perspicácia da minha amiga.Ora,não é que era mesmo caso clínico,e eu nem tinha notado?Do contrário,como explicar frases do tipo&lt;em&gt;:"nunca te liguei pra bater papo"&lt;/em&gt;-vinda de um sujeito que ligava quase todos os dias,ou: &lt;em&gt;"não era essa a nossa proposta."&lt;/em&gt; Hã?É um relacionamento ou uma reunião de negócios? Só pra fazer um rápido levantamento nos meus arquivos mentais&lt;em&gt;:"O problema não é com você", "Depois do meu último namoro decidi não fazer mais ninguém sofrer","Estou muito enrolado,tenho pirado demais","Sempre penso em você,embora trabalhe muito.Minha vida tá uma loucura","Acho que você tem toda razão.O que eu fiz foi uma baita d'uma sacanagem...mas não sei o por quê","Ainda não sei se estou pronto para um relacionamento,estou tão fechado...","Não te telefonei no seu aniversário porque achei que você estivesse com raiva de mim","Quando eu voltar da China nós conversamos,e resolvemos nossa situação..."&lt;/em&gt;&lt;br /&gt; Devo dizer que eu,como psicóloga,estou farta destes namorados-pacientes.Cansada de carregar o fardo de ser sempre a analista,a que encontra motivos inconscientes para cada pisada de bola,traumas infantis para justificar mau -caratismo.Se o inconsciente não nos dá sossego,cada um que fique com o seu!Da próxima vez juro que vou cobrar o valor de uma sessão. E cá pra nós,é preciso lutar por maior reconhecimento profissional.Afinal de contas,ô trabalhinho ingrato,este!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6337308621087983702-5809501552379850618?l=aventurasdameninama.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://aventurasdameninama.blogspot.com/feeds/5809501552379850618/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6337308621087983702&amp;postID=5809501552379850618' title='10 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6337308621087983702/posts/default/5809501552379850618'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6337308621087983702/posts/default/5809501552379850618'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://aventurasdameninama.blogspot.com/2008/06/os-casos-clnicos-que-atendi-sem.html' title='Os casos clínicos que atendi sem perceber'/><author><name>meninama</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05605206690926845475</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-Ei11RhdR6lU/TjVu04jUELI/AAAAAAAAAIM/0EXuGV2swfU/s220/1941pinup_1271.jpg'/></author><thr:total>10</thr:total></entry></feed>
